"A paz esteja convosco" (Jo 20, 19.21)

Hoje vivemos um tempo de grandes cargas horárias: na profissão, nos transportes, nos horários escolares, nas atividades extracurriculares, etc. Também os mais velhos e debilitados em termos de saúde se ressentem desta "falta de tempo" e afirmam que a carga é pesada.

Um dos aspetos da missão de Jesus pode ser resumido na sua afirmação "Vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10). A vida de que Jesus é portador é a vida de Deus: a alegria e a paz são componentes dessa mesma vida.

O mundo em que vivemos, porém, é marcado pelo afastamento do bem, pelo egocentrismo, por uma atitude contrária ao amor-partilha. Por isso podemos dizer que a porta é estreita e o caminho é pedregoso. Afastamo-nos do chamamento de Jesus na azáfama de cada a dia, na ausência de diálogo em família e da oração com os mais novos.

Há que ensinar e viver as palavras de Jesus: "Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos que Eu vos aliviarei (...) aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11, 28 - 30). Na verdade, tomar este caminho só é possível se aceitarmos este caminho de certeza na vida verdadeira e, portanto, caminho de alegria e paz.

Manifestei-vos estas coisas para que esteja em vós a minha alegria e a vossa alegria seja completa (Jo 15, 11). A alegria e a paz andam juntas como dois aspetos da mesma plenitude de vida. Esta é a espiritualidade de todos os batizados, discípulos de Jesus em qualquer momento da história e que nos chama - a cada um - a responder em liberdade às interpelações divinas.

Deus revela uma intenção primeira: cria o homem para a Aliança, ou seja, para entrar em relação com ele e o tornar participante da sua vida. A salvação que propõe coincide com a entrada na Aliança, onde o ser humano é divinizado por graça e na força dos sacramentos, sinais da Aliança.

Jesus Cristo é a nova e eterna Aliança: Deus e o homem encontram-se na pessoa do Verbo feito carne. Diríamos que Ele é tentação permanente do homem incapaz de conciliar na vida, Deus e o mundo, o finito e o infinito. Daí que a relação entre o Pai, Jesus Cristo, e o cristão é resumida desta maneira: "Eu estou no Pai e vós em Mim e Eu em vós" (Jo 14, 20)