PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Vida em Casal

Vida em Casal

O serviço de apoio à Pastoral da família da diocese, depois de ter falado com os casais responsáveis de paróquias de todas as zonas da diocese, percebeu que uma das questões que mais preocupam as famílias e, por isso mesmo, exigem um renovado empenho da pastoral da família, é o acompanhamento dos casais.

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Formação do Casal : 1+1 = 3 - Maria Teresa Ribeiro

Formação do Casal : 1+1 = 3 - Maria Teresa Ribeiro

A constituição de família continua a ser um desejo profundo do ser humano e um casamento duradouro e feliz faz parte do projecto de vida da maioria das pessoas. Na verdade, constata-se que o casamento, enquanto fenómeno universal, constitui um dos principais determinantes de satisfação com a vida em quase todas as culturas, países e religiões.

À semelhança dum organismo vivo, também a família sofre um processo de desenvolvimento no sentido da sua evolução e complexificação, passando por um ciclo de vida no qual se podem distinguir fases de desenvolvimento - desde 2 (crescimento e decrescimento) até 5, 8 ou 24 fases (consoante os investigadores). Trata-se de uma sequência previsível de transformações na organização familiar, em função do cumprimento de tarefas de desenvolvimento bem definidas. Tais tarefas de desenvolvimento da família relacionam-se com as características individuais dos seus elementos (eg. características e idade do casal e dos filhos) mas também com a pressão social e cultural para o desempenho adequado das tarefas essenciais à continuidade funcional do sistema-família. Optando-se por um modelo de ciclo de vida familiar intermédio no que se refere ao número de fases (8) - formação do casal, nascimento do primeiro filho, casal com filhos em idade pré-escolar, casal com filhos em idade escolar, casal com filhos adolescentes, casal com filhos adultos, casal na fase de “ninho vazio” e envelhecimento – dedicamo-nos, neste artigo especialmente, à formação do casal. 

Com efeito, uma relação estável e feliz continua a fazer parte do projeto de vida da maioria das pessoas. “Ser casal” é a relação mais estreita e mais íntima que pode existir entre uma mulher e um homem que se escolhem livremente e com expectativas elevadas de felicidade. Mas, apesar da visão popular, positiva e romântica, “tornar-se um casal” constitui uma das transições mais complexas e difíceis no ciclo de vida familiar. O casal em construção depressa toma consciência das suas próprias exigências e do modo como elas podem entrar em conflito com as necessidades individuais dos cônjuges que lhe deram vida. No processo de formação e de consolidação do casal, marido e mulher diferindo pelo seu sexo, pela sua identidade, pela sua própria história, pela cultura da família de origem, vão fazer uma síntese operante - o "nós" – a relação. Como todos os casais funcionam como unidade de relação (nós) e como pessoas (eu e tu) - o "1+1=3". A construção do “nós”, área de encontro do casal que se pretende cúmplice e protectora pode, pois, ser o porto seguro onde o “eu” e o “tu” encontram estímulo para se desenvolver e realizar ou, diferentemente, pode amplificar dificuldades individuais e relacionais que os afastam e os impedem de um relacionamento mais íntimo e feliz.

Cada casal constrói a sua identidade de casal e de pais, fazendo a gestão das diferenças e da complementaridade, ou seja, ajustando o que se espera de um homem e de uma mulher, de um pai e de uma mãe, em casal, com o que aquele homem e aquela mulher específicos pretendem ser enquanto pessoas, casal e família. E, assim como cada ser humano é único e irrepetível, cada casal (aquela mulher com aquele homem) é, também, único e irrepetível. Não há outro igual no mundo.

Sendo frágil a relação do casal actual, como se pode constatar pelas estatísticas designadamente do divórcio, não deixa de ser, também, uma entidade forte, sobretudo devido à sua flexibilidade de adaptação aos diferentes contextos de tempo e de espaço. De facto, é uma estrutura sem concorrente real na cultura, em parte devido ao seu fundamento biológico de continuidade da espécie, em parte devido ao espaço rico de relações amorosas em que se tem vindo a transformar. No entanto, o amor é muito mais do que emoção, é um conjunto de sentimentos conscientes através dos quais é possível expressar uma vontade – a vontade de amar o outro, a vontade de ser amado pelo outro, a vontade de criar uma relação que seja ‘nossa’. É neste sentido que se diz que ‘amar é, também, querer amar’. Afectos, cognições e comportamentos surgem no amor de uma forma tão simultânea e complexamente relacionada que não é possível isolá-los. Sem desvalorizarmos os afectos e os sentimentos, o amor, na sua essência, é uma decisão.

É consensual, entre os estudiosos do tema, que a passagem para uma “vida a dois” confronta cada um dos membros do casal com uma nova realidade plena de desafios que exige respostas novas e adaptações específicas. Destacam-se como tarefas de desenvolvimento da formação do casal: o aprofundamento do amor surgido durante o namoro; a construção da identidade da relação (e.g. que aspectos de que modelos das respectivas famílias de origem vão ou não ser adoptados pelo novo casal e como); o desenvolvimento de acordos sobre envolvimento, proximidade, intimidade psicológica, autonomia/intimidade, poder; o ajustamento de hábitos e costumes; o ajustamento de papéis e funções; o estabelecimento de nova rede de relações sociais. 

O facto de existir uma história comum da família/casal confere identidade no meio das mudanças e adaptações inerentes a um desenvolvimento individual e conjunto, necessário por causa das mudanças das estruturas sociais, familiares e educacionais. E a manutenção do amor no casal é um processo diário de descoberta e construção de diferentes formas de amar e ser amado que acompanhem a evolução de cada um dos cônjuges ao longo do seu desenvolvimento.

Para nós, católicos, o casamento é um sacramento e, por isso, o “1+1=3” adquire uma outra leitura com outro significado – é O infinito (Deus) que vem ao encontro de finitos (eu, tu, a relação). Somos chamados a ser homem, ser mulher, ser casal, ser família à imagem e semelhança de Deus. De Deus que é Amor…E como é o Amor de Deus? Deus ama-nos com um Amor que é livre e gratuito, total, fiel e fecundo. O Sacramento é um sinal do amor de Deus (ajuda concreta para que possamos amar como Deus nos amou, com um amor fiel e capaz de chegar ao extremo pela outra pessoa) e um sinal do amor a Deus (porque Lhe oferecemos nos momentos de sofrimento e crise, o nosso amor, fazêmo-Lo co-participante do nosso compromisso e pedimos-Lhe ajuda para o cumprir com fortaleza e generosidade).

 

Maria Teresa Ribeiro

Formação do Casal : 1+1 = 3 - Joana e João

Formação do Casal : 1+1 = 3 - Joana e João

Estranha a matemática das coisas de todos os dias. Parece que vai sempre cabendo mais um à mesa, parece que afinal o pão sempre vai dando, parece que até na mais esquálida manjedoura sempre vai nascendo, uma e outra vez, quem nos leva de volta a casa. Quando começamos a construir o nosso matrimónio, quando nos decidimos a isso, estamos a fundar uma novidade irrepetível na história da existência humana. O nosso sim cria, de facto, uma realidade absolutamente nova, muito maior que apenas duas vidas a correr em paralelo. E é a única vez na vida em que uma conta errada, bate certa! 1+1=3.

É preciso, contudo, reconhecer que esta matemática depende mais da liberdade dos factores que da lógica. 1+1 só será 3 se deixarmos, se trabalharmos por isso, e na medida em que nos deixarmos crescer em conjunto, em que nos deixarmos amadurecer pela graça que recebemos no dia do nosso casamento. Esta operação não se faz numa folha quadriculada, mas na vida de todos os dias,  implica opções concretas sobre rotinas e estilos de vida. Implica ceder, deixar-se conduzir, cuidar para que o outro brilhe; implica alimentar o amor e não dar trela àquilo que o gasta. Implica estar disposto a perdoar, a recomeçar. O risco é que se 1+1 não for 3, facilmente acaba por ser 0. A soma que não se cuida passa a ser um choque frontal de duas pessoas diferentes, com histórias e manias diferentes, com ambições e sonhos diferentes -  facilmente deixa de ser soma e passa a ser apenas diferença. 

Não serão muitas as situações da vida que nos mostrem com tanta eloquência que nem sempre chegamos para tudo como a construção e o cuidado da vida familiar, especialmente quando chegam os filhos, tipicamente numa fase em que o trabalho também exige muito de nós. A sagrada beleza e limpidez da vida diária, tantas vezes revelada em relances fugazes, é tantas outras trespassada de cansaços e poeiras, zangas e limitações.

Mas a vida pode seguir e florescer, e nós com ela, se soubermos permanecer. Somos levados ao colo por Alguém, sustentados por um impulso maior do que a resultante das nossas forças. E é nessa tangência do limite que levantamos os olhos e vemos chegar o nosso auxílio. É para amparar o que não podemos e desvendar o que não sabemos que a graça do matrimónio se derrama transbordante e silenciosa, em torrentes que às vezes só se conseguem ver mais adiante, ao olhar para trás. É muitas vezes no limite que damos conta de que sempre estivemos ao colo de Deus. Só que Ele está sempre à nossa porta e chama. Deus entrará e ceará em casa de quem ouvir a Sua voz e Lhe abrir a porta. O grito de alma é amplificado em Deus. A nossa voz faz eco. 1+1=3.

No episódio das bodas de Canãa, está Nossa Senhora a suplicar a acção de Jesus, para bem dos noivos - e dos convidados, na verdade. Podemos ter a mesma confiança. A Mãe da Igreja tem por todas as famílias uma ternura igual à desse dia, de atentamente cuidar do que precisamos ao mesmo tempo que nos educa no reconhecimento e obediência a Deus, pelo seu Filho. Melhor que ninguém, Maria e José viram no seu casamento o fruto perfeito do Amor Encarnado. Não somos todos chamados a ser pais da segunda pessoa da Santíssima Trindade, mas somos todos chamados e capacitados pela graça do sacramento do matrimónio a ser sinal do amor de Deus para o mundo. Na verdade, 1+1=3 tende para o infinito, como o nosso coração.

 

Joana Cordovil Cardoso e João Corrêa Monteiro

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros!

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros! Desde logo, há que nomear a gente mal-amada. Nesses que desde o começo da vida foram expostos ao mau tempo, infectados de desamor, desprotegidos e pouco livrados do mal.... E penso nos que foram vitimas da traição dos adultos (naturalmente muitos deles também peões das distorções herdadas das suas próprias circunstâncias pessoais). Há gente que nasceu e logo cresceu sozinha, sobrevivendo, ou pior, sob-vivendo. Sem que o pai regressasse a casa ao fim do dia senão para rebentar com tudo porque vinha bêbado, sempre. Sem que a mãe fosse sinónimo de casa porque estava por lá muito pouco, sabe-se lá porquê. Gente que só partilhou com os seus tristeza e silêncios. Muitos, também, os que viram mudar tantas vezes os pilares, paredes portas” dentro de casa, tantos foram os adultos que porta adentro viveram com a mãe ou com o pai sem serem a mãe ou o pai — devastando referencias, como se a vida estivesse sempre a ser despejada...; miudagem, ainda, arrasada pelas violências da gente grande, na idade e na maldade. Por exemplo, através de chocantes experiências sexuais brutais e brutalizantes. E basta referir, como exemplo de degradação da relação educativa, o deixar os pequeninos expostos ao contágio malicioso das rimas de um qualquer cantor pimba. Acresce o que está à vista de todos: que as novíssimas gerações sofrem de como que de uma bulimia informática, expressando-se assim a falta de comunicação e comunhão com e na família. Donde ecrãs de ilusões inundando a vida com ondas de excitação e tédio, e não raro pânico, restando a gulosa espontaneidade como bússola para todas as experiências da vida. Aliás conduzindo-as, não raro, até aos baixios de uma vida sem propósito outro se não o de “tá-se bem. Gente que antes de se poder dizer que se despistou, melhor seria dizer que pouco frequentou de um ambiente que testemunhasse como viver. 

Ainda assim, parece-me poder-se dizer com justeza, que as pessoas capazes de grande violência não são as que viram muita violência (veja-se a santidade que, por vezes, os cenários de guerra manifestam) mas, isso sim, que a máxima perversão consiste em ter-se atrás de si o nada e o vazio. Creio que os muito perigosos não tem origem nos bairros problemáticos ou nas etnias minoritárias. Não creio que o que os descreve seja terem crescido por entre berros e ameaças. Nesses ambientes ainda há, e tantas, relações de vizinhança e família. Antes, são as pessoas que não tiverem família, nem comunidade, aquelas nas quais a biologia de dois progenitores produziu uma criatura, a quem a sociedade oferece aparelhagem institucional para crescer (hospitais, escolas, dinheiro, subsídios e guetos...) que transportam dentro de si o inspirador e perigoso frio que só gera ataque e caos. Veja-se a origem geográfica de alguns dos mais perigosos serial-killers desta parte do mundo a que chamamos Ocidente: Noruega, Alemanha... 

 

Mas avanço: parece-me que no excesso de intenção começam, não raro, os riscos paradoxais da má educação. No desejo de produzir filhos-felizes, filhos protegidos por todo o afecto do mundo, filhos-eficazes, filhos top, filhos que não hão de sofrer o que eu sofri... Lembro-me, a propósito, da mãe da Ana e do Carlos, doméstica da sua própria casa e que, nas horas vagas, muitas, se especava do lado de fora da rede da escola primária, nos intervalos das aulas, a ver ambos os filhos a brincar, não fosse acontecer-lhes alguma coisa. E, de facto, aconteceu: mais tarde, já grandes, saltaram a vedação com que a mãe sempre os tentara domesticar... queriam ser livres mas ambos se tornaram dependentesÉ que não aprenderam, pelo menos não integraram, a diferença entre fazer o que apetece e fazer o que se quer. Na verdade, incapazes de consultar o que era mais autêntico nos seus corações em fuga, entregaram-se ao que parecia ser o mais abreviado atalho para a vida gira. De facto, rapidamente a alcançaram mas apenas porque a vida não parara de girar em torno dos seus obsessivos e esmagadores vazios. 

 

Nota relevante para o tema do sofrimento: grande, o dos pais, quando, obviamente por razões generosas, sofrem ansiosamente, tentando evitar que os filhos sofram nos cruzamentos da vida. Por vezes, tantas vezes, até os pais católicos, aqueles mesmos que ensinaram os seus filhos a fazerem o sinal da cruz desde a mais tenra idade, sonham que o seu filho se torne adulto sem conhecer a dor da cruz. E lembro-me de um rapaz muito valente, inteligente, atlético que pelos 20 anos ingressou nos para-quedistas. Capaz, muito capaz, de enfrentar o medo (físico), grande lutador nas arenas desportivas mas completamente indefeso face à frustração, à angústia e ao sofrimento moral, e à solidão.  

 

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros! De facto, pergunto, que outra coisa mais relevante na educação senão preparar para morrer? Ou melhor, e dito pela positiva, que outra coisa permite a boa-educação senão encontrar, com os outros, antes demais a própria família, porque viver e a quem, e porquê, dar a vida?... Na verdade, que outra coisa fez Jesus, se não dar e ensinar a dar — a vida. Não a dar a vida provisoriamente, ou em regime de voluntariado, ou enquanto o casamento for feliz, ou quando os votos religiosos trouxerem admiração face ao extraordinário da própria vida. Parece-me, na verdade, que a única maneira de o sofrimento não se tornar lugar de fechamento, desespero e tortura é vivê-lo como compaixão. Desse modo, já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim — também a minha dor, oferecendo-me nela comunhão e esperança. 

 

Creio que há gente que arriscou muito, demais, não na grande aventura de navegar mas antes na arriscadíssima desventura de fugir: da busca de sentido e de verdade, de uma vida com sentido e porquê. Daí sobrar tantas vezes as agruras de uma omnipresente insegurança, ou mesmo pânico, tentando mascar-se de frivolidade como se se tratasse apenas de curtir mais um festival de verão.

 

Ora, as pessoas que arriscaram e resistiram muito na vida (não serão estas atitudes cara e coroa da mesma atitude face à existência?) tinham muita certeza na vida, no seu sentido. Também por isso, bendito seja Deus pelos que, educados por Cristo, na Igreja de Cristo, sabem dizer não ao império dos homologadas narcisismos da cultura dominante, sempre em favor do sim ao (re)encontro com a casa onde aqueles que se descobrem bem-amados e bem educado sempre quererão habitar. 

 

Pe. Pedro Quintela  

Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020

 

Neste número propomos dois textos importantes que falam dos frutos da proposta educativa. Num abraçamos esta alegria de partilhar a vida com um filho adulto que caminha grato pelo que lhe foi dado. Como diz a Madalena Fontoura: “A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto.”  

 

No outro apresentam-se os riscos de uma educação que não procura o sentido profundo da vida, evitando o sofrimento que surge naturalmente no caminho. Neste texto o Pe. Pedro Quintela oferece-nos este vislumbre, fruto da sua experiência de acompanhar tantas pessoas que vivem da forma mais dura este drama 

 

E QUANDO OS FILHOS JÁ SÃO GRANDES E SENHORES DAS SUAS ESCOLHAS?  

 

Quando eram pequeninos e dependiam dos pais para tudo, parecia muito exigente, porque tudo girava à volta deles e não havia tempo nem cabeça para mais nada. Quando já andam, falam, percebem e vão à escola, uma primeira impressão de alívio transforma-se num novo desafio: o instinto de protegê-los, a tentação de achar que mais ninguém os compreende e que o mundo é hostil e ameaçador. A adolescência traz consigo uma robustez física e uma desenvoltura mental que poderiam dar uma trégua. Mas com ela vem a estranheza, um certo temor, a distância de idade, que parece um abismo precisamente na altura em que se queria estar mais próximo. 

 

Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020E quando os filhos já são grandes e senhores das suas escolhasDiz o sábio ditado, “filhos criados, trabalhos dobrados”. Não há maior desafio do que ser companheiro de um filho adulto na estrada da vida. Sobretudo se for pedido aos pais enfrentarem maus passos dos filhos, fraquezas, rupturas, travessias solitárias. Aí, mais do que em qualquer dos momentos anteriores, é posta à prova a fé. Jesus contou a história do filho pródigo talvez a pensar nestes filhos. E nestes pais. 

 

Ser pai e mãe de um filho adulto requer clareza sobre o destino e pés ao caminho. Um filho precisa de um lugar para o seu regresso. E o lugar mais hospitaleiro é um coração de peregrino. O filho volta e encontra um pai, uma mãe, que caminham. Essa é a juventude dos pais, que resiste às diferenças de idade. Uma humanidade que Cristo conquistou e venceu é um milagre de juventude. 

 

A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto. Não somos nós que damos sentido às coisas. A ligação que une tudo que existe e acontece é objetiva. A certeza de um desígnio, o desejo de conformar cada vez mais a vida ao significado último e de caminhar nesse significado dá aos pais uma fisionomia de homens e mulheres novos, que um filho adulto em algum momento surpreenderá e desejará. 

 

A esperança, essa certeza na vitória do bem que caracteriza os que se reconhecem de Deus, permite que em tudo o positivo prevaleça, a centelha de bem seja valorizada e haja sempre um olhar limpo sobre um filho, vá por onde for. É preciso uma pobreza e uma simplicidade para conservar esta capacidade de ver o que há de bem no coração humano. Porque nos filhos, como nos pais, a salvação virá sempre através do humano. É na humanidade, mesmo que ferida, perdida ou distraída, que vibra a nostalgia do bem. E esse é o começo do regresso. 

 

Madalena Fontoura


 

 Ainda na rubrica do Familiarmente deste mês de Fevereiro:

Concurso de Presépios | Familiarmente Janeiro 2020

CONCURSO DE PRESÉPIOS

 

“O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.”

Com estas palavras do papa Francisco retiradas da sua carta apostólica “Admirabile Signum”, queremos agradecer a todas as famílias que participaram neste concurso, partilhando as expressivas imagens dos seus presépios. 

Estão todos de parabéns!

O júri determinou que a família Costa, de Carcavelos, é a vencedora

Concurso de Presépios | Familiarmente Janeiro 2020

 

"Na nossa família vivemos o tempo de Natal com muita intensidade, espiritual e socialmente falando. O presépio ocupa um lugar central em casa. Para o primeiro domingo de Advento arma-se a base do presépio. Em cima, é colocada a coroa de Advento para servir de luz para a oração que fazemos em família, à noite, durante esta época litúrgica.

Até ao dia 8 de Dezembro vamos colocando novos elementos no presépio: o fundo, a cabana, as luzes, as imagens, o musgo, as pedrinhas e um conjunto de mini cerâmicas que fazem memória da família mais alargada.

Na véspera de Natal, colocamos plantas fresquinhas e, antes da Ceia, a imagem do Menino Jesus, acompanhada de uma oração. O presépio, agora completo, acompanha-nos até à Epifania.

O dia das arrumações é sempre nostálgico... A imagem do Menino Jesus é a primeira a ser retirada do presépio. Faz-se uma oração, dá-se o Menino a beijar e guarda-se o mesmo num lugar de destaque.

Depois do presépio desarmado, apesar de um espaço vazio em casa, os corações estão cheios de esperança no Novo Ano, pois o Menino continua a habitá-los."

Parabéns Família Costa (Carcavelos)!

 

 

 


 Ainda na rubrica do Familiarmente deste mês de Janeiro:

Educar Com Liberdade

Embarcar Juntos Numa Bela Aventura

Um Lugar de União

Próximos eventos

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