PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

RSS Feed Facebook Subscreva a nossa Newsletter Contacte-nos

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros!

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros! Desde logo, há que nomear a gente mal-amada. Nesses que desde o começo da vida foram expostos ao mau tempo, infectados de desamor, desprotegidos e pouco livrados do mal.... E penso nos que foram vitimas da traição dos adultos (naturalmente muitos deles também peões das distorções herdadas das suas próprias circunstâncias pessoais). Há gente que nasceu e logo cresceu sozinha, sobrevivendo, ou pior, sob-vivendo. Sem que o pai regressasse a casa ao fim do dia senão para rebentar com tudo porque vinha bêbado, sempre. Sem que a mãe fosse sinónimo de casa porque estava por lá muito pouco, sabe-se lá porquê. Gente que só partilhou com os seus tristeza e silêncios. Muitos, também, os que viram mudar tantas vezes os pilares, paredes portas” dentro de casa, tantos foram os adultos que porta adentro viveram com a mãe ou com o pai sem serem a mãe ou o pai — devastando referencias, como se a vida estivesse sempre a ser despejada...; miudagem, ainda, arrasada pelas violências da gente grande, na idade e na maldade. Por exemplo, através de chocantes experiências sexuais brutais e brutalizantes. E basta referir, como exemplo de degradação da relação educativa, o deixar os pequeninos expostos ao contágio malicioso das rimas de um qualquer cantor pimba. Acresce o que está à vista de todos: que as novíssimas gerações sofrem de como que de uma bulimia informática, expressando-se assim a falta de comunicação e comunhão com e na família. Donde ecrãs de ilusões inundando a vida com ondas de excitação e tédio, e não raro pânico, restando a gulosa espontaneidade como bússola para todas as experiências da vida. Aliás conduzindo-as, não raro, até aos baixios de uma vida sem propósito outro se não o de “tá-se bem. Gente que antes de se poder dizer que se despistou, melhor seria dizer que pouco frequentou de um ambiente que testemunhasse como viver. 

Ainda assim, parece-me poder-se dizer com justeza, que as pessoas capazes de grande violência não são as que viram muita violência (veja-se a santidade que, por vezes, os cenários de guerra manifestam) mas, isso sim, que a máxima perversão consiste em ter-se atrás de si o nada e o vazio. Creio que os muito perigosos não tem origem nos bairros problemáticos ou nas etnias minoritárias. Não creio que o que os descreve seja terem crescido por entre berros e ameaças. Nesses ambientes ainda há, e tantas, relações de vizinhança e família. Antes, são as pessoas que não tiverem família, nem comunidade, aquelas nas quais a biologia de dois progenitores produziu uma criatura, a quem a sociedade oferece aparelhagem institucional para crescer (hospitais, escolas, dinheiro, subsídios e guetos...) que transportam dentro de si o inspirador e perigoso frio que só gera ataque e caos. Veja-se a origem geográfica de alguns dos mais perigosos serial-killers desta parte do mundo a que chamamos Ocidente: Noruega, Alemanha... 

 

Mas avanço: parece-me que no excesso de intenção começam, não raro, os riscos paradoxais da má educação. No desejo de produzir filhos-felizes, filhos protegidos por todo o afecto do mundo, filhos-eficazes, filhos top, filhos que não hão de sofrer o que eu sofri... Lembro-me, a propósito, da mãe da Ana e do Carlos, doméstica da sua própria casa e que, nas horas vagas, muitas, se especava do lado de fora da rede da escola primária, nos intervalos das aulas, a ver ambos os filhos a brincar, não fosse acontecer-lhes alguma coisa. E, de facto, aconteceu: mais tarde, já grandes, saltaram a vedação com que a mãe sempre os tentara domesticar... queriam ser livres mas ambos se tornaram dependentesÉ que não aprenderam, pelo menos não integraram, a diferença entre fazer o que apetece e fazer o que se quer. Na verdade, incapazes de consultar o que era mais autêntico nos seus corações em fuga, entregaram-se ao que parecia ser o mais abreviado atalho para a vida gira. De facto, rapidamente a alcançaram mas apenas porque a vida não parara de girar em torno dos seus obsessivos e esmagadores vazios. 

 

Nota relevante para o tema do sofrimento: grande, o dos pais, quando, obviamente por razões generosas, sofrem ansiosamente, tentando evitar que os filhos sofram nos cruzamentos da vida. Por vezes, tantas vezes, até os pais católicos, aqueles mesmos que ensinaram os seus filhos a fazerem o sinal da cruz desde a mais tenra idade, sonham que o seu filho se torne adulto sem conhecer a dor da cruz. E lembro-me de um rapaz muito valente, inteligente, atlético que pelos 20 anos ingressou nos para-quedistas. Capaz, muito capaz, de enfrentar o medo (físico), grande lutador nas arenas desportivas mas completamente indefeso face à frustração, à angústia e ao sofrimento moral, e à solidão.  

 

Gente mal educada— Despistes, Riscos e (Re)Encontros! De facto, pergunto, que outra coisa mais relevante na educação senão preparar para morrer? Ou melhor, e dito pela positiva, que outra coisa permite a boa-educação senão encontrar, com os outros, antes demais a própria família, porque viver e a quem, e porquê, dar a vida?... Na verdade, que outra coisa fez Jesus, se não dar e ensinar a dar — a vida. Não a dar a vida provisoriamente, ou em regime de voluntariado, ou enquanto o casamento for feliz, ou quando os votos religiosos trouxerem admiração face ao extraordinário da própria vida. Parece-me, na verdade, que a única maneira de o sofrimento não se tornar lugar de fechamento, desespero e tortura é vivê-lo como compaixão. Desse modo, já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim — também a minha dor, oferecendo-me nela comunhão e esperança. 

 

Creio que há gente que arriscou muito, demais, não na grande aventura de navegar mas antes na arriscadíssima desventura de fugir: da busca de sentido e de verdade, de uma vida com sentido e porquê. Daí sobrar tantas vezes as agruras de uma omnipresente insegurança, ou mesmo pânico, tentando mascar-se de frivolidade como se se tratasse apenas de curtir mais um festival de verão.

 

Ora, as pessoas que arriscaram e resistiram muito na vida (não serão estas atitudes cara e coroa da mesma atitude face à existência?) tinham muita certeza na vida, no seu sentido. Também por isso, bendito seja Deus pelos que, educados por Cristo, na Igreja de Cristo, sabem dizer não ao império dos homologadas narcisismos da cultura dominante, sempre em favor do sim ao (re)encontro com a casa onde aqueles que se descobrem bem-amados e bem educado sempre quererão habitar. 

 

Pe. Pedro Quintela  

Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020

 

Neste número propomos dois textos importantes que falam dos frutos da proposta educativa. Num abraçamos esta alegria de partilhar a vida com um filho adulto que caminha grato pelo que lhe foi dado. Como diz a Madalena Fontoura: “A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto.”  

 

No outro apresentam-se os riscos de uma educação que não procura o sentido profundo da vida, evitando o sofrimento que surge naturalmente no caminho. Neste texto o Pe. Pedro Quintela oferece-nos este vislumbre, fruto da sua experiência de acompanhar tantas pessoas que vivem da forma mais dura este drama 

 

E QUANDO OS FILHOS JÁ SÃO GRANDES E SENHORES DAS SUAS ESCOLHAS?  

 

Quando eram pequeninos e dependiam dos pais para tudo, parecia muito exigente, porque tudo girava à volta deles e não havia tempo nem cabeça para mais nada. Quando já andam, falam, percebem e vão à escola, uma primeira impressão de alívio transforma-se num novo desafio: o instinto de protegê-los, a tentação de achar que mais ninguém os compreende e que o mundo é hostil e ameaçador. A adolescência traz consigo uma robustez física e uma desenvoltura mental que poderiam dar uma trégua. Mas com ela vem a estranheza, um certo temor, a distância de idade, que parece um abismo precisamente na altura em que se queria estar mais próximo. 

 

Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020E quando os filhos já são grandes e senhores das suas escolhasDiz o sábio ditado, “filhos criados, trabalhos dobrados”. Não há maior desafio do que ser companheiro de um filho adulto na estrada da vida. Sobretudo se for pedido aos pais enfrentarem maus passos dos filhos, fraquezas, rupturas, travessias solitárias. Aí, mais do que em qualquer dos momentos anteriores, é posta à prova a fé. Jesus contou a história do filho pródigo talvez a pensar nestes filhos. E nestes pais. 

 

Ser pai e mãe de um filho adulto requer clareza sobre o destino e pés ao caminho. Um filho precisa de um lugar para o seu regresso. E o lugar mais hospitaleiro é um coração de peregrino. O filho volta e encontra um pai, uma mãe, que caminham. Essa é a juventude dos pais, que resiste às diferenças de idade. Uma humanidade que Cristo conquistou e venceu é um milagre de juventude. 

 

A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto. Não somos nós que damos sentido às coisas. A ligação que une tudo que existe e acontece é objetiva. A certeza de um desígnio, o desejo de conformar cada vez mais a vida ao significado último e de caminhar nesse significado dá aos pais uma fisionomia de homens e mulheres novos, que um filho adulto em algum momento surpreenderá e desejará. 

 

A esperança, essa certeza na vitória do bem que caracteriza os que se reconhecem de Deus, permite que em tudo o positivo prevaleça, a centelha de bem seja valorizada e haja sempre um olhar limpo sobre um filho, vá por onde for. É preciso uma pobreza e uma simplicidade para conservar esta capacidade de ver o que há de bem no coração humano. Porque nos filhos, como nos pais, a salvação virá sempre através do humano. É na humanidade, mesmo que ferida, perdida ou distraída, que vibra a nostalgia do bem. E esse é o começo do regresso. 

 

Madalena Fontoura


 

 Ainda na rubrica do Familiarmente deste mês de Fevereiro:

Concurso de Presépios | Familiarmente Janeiro 2020

CONCURSO DE PRESÉPIOS

 

“O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.”

Com estas palavras do papa Francisco retiradas da sua carta apostólica “Admirabile Signum”, queremos agradecer a todas as famílias que participaram neste concurso, partilhando as expressivas imagens dos seus presépios. 

Estão todos de parabéns!

O júri determinou que a família Costa, de Carcavelos, é a vencedora

Concurso de Presépios | Familiarmente Janeiro 2020

 

"Na nossa família vivemos o tempo de Natal com muita intensidade, espiritual e socialmente falando. O presépio ocupa um lugar central em casa. Para o primeiro domingo de Advento arma-se a base do presépio. Em cima, é colocada a coroa de Advento para servir de luz para a oração que fazemos em família, à noite, durante esta época litúrgica.

Até ao dia 8 de Dezembro vamos colocando novos elementos no presépio: o fundo, a cabana, as luzes, as imagens, o musgo, as pedrinhas e um conjunto de mini cerâmicas que fazem memória da família mais alargada.

Na véspera de Natal, colocamos plantas fresquinhas e, antes da Ceia, a imagem do Menino Jesus, acompanhada de uma oração. O presépio, agora completo, acompanha-nos até à Epifania.

O dia das arrumações é sempre nostálgico... A imagem do Menino Jesus é a primeira a ser retirada do presépio. Faz-se uma oração, dá-se o Menino a beijar e guarda-se o mesmo num lugar de destaque.

Depois do presépio desarmado, apesar de um espaço vazio em casa, os corações estão cheios de esperança no Novo Ano, pois o Menino continua a habitá-los."

Parabéns Família Costa (Carcavelos)!

 

 

 


 Ainda na rubrica do Familiarmente deste mês de Janeiro:

Educar Com Liberdade

Embarcar Juntos Numa Bela Aventura

Um Lugar de União

A Beleza e o Mistério que é Educar um Filho | Familiarmente Dezembro 2019

Escola de Pais – II

A BELEZA E O MISTERIO QUE É EDUCAR UM FILHO

Um filho põe à prova a humanidade do pai e da mãe. Exige comunhão, um dos maiores desafios: aceitar o outro, confiar, perdoar, saber que é melhor a dois, mesmo quando parecem prevalecer fragilidades e interrogações. Qual é o ponto de partida desta missão singular?

Continuar... A Beleza e o Mistério que é Educar um Filho | Familiarmente Dezembro 2019

Educar Com Uma Proposta | Familiarmente Dezembro 2019

EDUCAR COM UMA PROPOSTA

Talvez o maior desafio da educação dos filhos, principalmente na idade da adolescência e da juventude, venha do facto de o Amor só existir na liberdade. Não podemos obrigar os nossos filhos a amar, porque o Amor é precisamente a realização totalmente livre do bem! Queremos que eles façam o bem para serem felizes, mas rapidamente percebemos que tentar obrigá-los não funciona mesmo (e muitas vezes até funciona ao contrário).

Continuar... Educar Com Uma Proposta | Familiarmente Dezembro 2019

Próximos eventos

19Mar.
Qui. Mar. 19, 2020
Dia do Pai
25Mar.
Qua. Mar. 25, 2020
Dia da Criança Concebida
03maio
Dom. maio 03, 2020
Dia da Mãe
10maio
Dom. maio 10, 2020
Semana da Vida
07Jun.
Dom. Jun. 07, 2020
Festa Diocesana da Família