PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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A família no centro da esperança cristã

A família no centro da esperança cristãDurante as últimas audiências gerais, o Papa Francisco tem-nos falado sobre a Esperança. No passado dia 27 de Setembro, dirigiu-se aos grupos de peregrinos de língua portuguesa afirmando que “a esperança cristã nos leva a olhar para o futuro como homens e mulheres que não se cansam de sonhar com um mundo melhor.”

Perante as palavras de incentivo do papa Francisco para persistirmos na esperança e não desistirmos de sonhar, olhamos para as famílias cristãs, cujo bem “é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja” (Cf. Papa Francisco, A alegria do amor 31). Olhemos para quatro motivos pelos quais encontramos a família no centro da esperança cristã para a edificação do Reino de Deus.

Em primeiro lugar, na família de Nazaré, modelo para as famílias cristãs, onde pelo Sim de Maria recebemos a alegria da nossa maior esperança, o nascimento do Salvador. Ao receberem o anúncio do nascimento do Messias, os pastores apressaram-se para encontrar Maria, José e o menino deitado na manjedoura. Depois deste encontro, os pastores louvaram e anunciaram o que tinham visto, maravilhando todos os que os ouviam (cf. Lc 2, 8-20). Esta imagem evangélica anuncia-nos esta enorme alegria decorrente da esperança que é a vinda do Salvador, encarnada no seio da família de Nazaré.

Mas também na relação entre os esposos encontramos a imagem do Amor. No livro do Genesis, lemos que “Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher.” (Gn 1, 27). Esta sagrada intuição remete-nos para a relação entre o homem e a mulher como uma imagem da plena comunhão de amor presente em Deus. Em Cristo, Deus revelou-se plenamente como Pai, Filho e Espírito Santo, uma comunhão de amor entre três pessoas numa só natureza, que vive em plena doação de amor de cada um. Assim também a humanidade se realiza nesta comunhão de amor entre os esposos, que à imagem da entrega de Cristo pela Igreja, pelo matrimónio se torna entrega fiel, total e fecunda. Assim, em cada matrimónio cristão pleno, fiel e fecundo, pela total doação no acolhimento integral do cônjuge, nos realizamos nesta permanente doação pelo bem do outro, que começa entre o casal e extravasa pelo resto da humanidade.

A fecundidade que brota do matrimónio reflete-se também no dom dos filhos, sinal de esperança em cada nova vida e que nos remete para a maravilha da renovação da humanidade, numa união permanente do Homem ao dom da criação de Deus. Perante cada criança, vemos a continuação da humanidade assegurada e reconhecemos quem irá construir em cima da história da qual fazemos parte. Ao ver uma criança, sonhamos, esperançosos com um mundo melhor.

Por fim, a família é também lugar de esperança na exata medida em que a alegria do amor que nela se vive trasborda para o resto da sociedade, transformando os corações do mundo. Neste sentido, “a família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da esperança, da qual deve tornar-se reflexo: «A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada»“ (Papa João Paulo II, A família Cristã, 52)

São, pois, quatro os motivos pelos quais colocamos hoje a família no centro da esperança cristã: pela Família de Nazaré, pelo dom de amor entre os esposos, pela alegria dos filhos no renovar do mundo e pelo seu testemunho de fé. Que em família nunca nos cansemos de sonhar com um mundo melhor. “Que Maria, causa da nossa esperança, nos guie nesse caminho.” (Papa Francisco, Audiência Geral de 27 de Setembro)

Texto escrito por Nuno Fortes

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