PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

RSS Feed Facebook Subscreva a nossa Newsletter Contacte-nos

50 anos da Humane vitae: uma boa notícia (continuação)

50 anos da Humane vitae: uma boa notícia (continuação)(Continuação do texto publicado no Familiarmente de Novembro de 2018)

Por outro lado, se a maioria das pessoas não vê como problemático o uso da contraceção, então “Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar?” (HV, 17)

O Papa João Paulo II sentiu-se chamado a esclarecer esta situação. Na sua visão antropológica, conhecida como a Teologia do Corpo, ele tem como objetivo proporcionar um fundamento adequado para que as pessoas possam entender e abraçar os ensinamentos da Humane Vitae. Conhecendo a grandeza do plano de Deus para a sexualidade humana e para o matrimónio, ele quis partilhar isso com o mundo que sofria por não o entender. 

Ele sabia que a única maneira de o fazer envolvia um trabalho grandioso de estudo filosófico, teológico e baseado nas escrituras, para chegar ao âmago do amor, do casamento, da sexualidade e da complementaridade masculino/feminino. E assim, o legado que nos deixou é uma obra que explora aspectos metafísicos, humanos, relacionais e teológicos que, de fato, formam o fundamento sobre o qual a Igreja foi capaz de afirmar a verdade expressa na Humane vitae, mas que, ao mesmo tempo, forma uma antropologia completa que se pode tornar uma fonte para entender muitas dimensões do significado da vida, do que é ser pessoa e de quem é Deus.

Os dois aspectos principais da antropologia de João Paulo II são: a Dignidade da Pessoa e a Familia. 

A pessoa, “única criatura querida por Deus por si mesma, só se realiza no dom sincero de si própria”  (GS 24) é portanto dotada de uma dignidade que lhe é própria e que determina, devido à semelhança com Deus, que a forma de amar seja também, como acontece entre as Pessoas Divinas, através da comunhão de pessoas, construída a partir do dom de cada um.

A Familia, ou seja, um pai e uma mãe casados e com filhos, são a célula base da sociedade. É no seio da familia, escola de amor, que aprendemos a relacionarmo-nos com os outros. Na familia aprendemos a ser filhos, irmãos, esposos e pais. A origem de cada pessoa deve acontecer no seio desse contexto de amor. O ato conjugal do homem e da mulher que expressa o dom da sua vida um ao outro, é o mesmo ato que deve estar na origem de uma nova vida. 

Todos sabemos que podem ser geradas vidas de muitas outras formas e todos os que nascem são igualmente queridos e amados por Deus. No entanto, Deus tem um plano e quer partilhar esse plano connosco. Este plano, que tem sido alvo de muita confusão, é que a união conjugal contenha em si as duas dimensões que definem o ser do próprio Deus: amor e vida. Deus é amor e Deus é vida. Para que o ato sexual entre esposos fale a verdade que corresponde ao significado esponsal doo corpo, a verdade da linguagem do corpo, estas duas dimensões não podem ser separadas. Nas palavras da Humane vitae, trata-se da “conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador. Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.” (HV, 12)

A Teologia do Corpo de João Paulo II foi escrita para transmitir esse plano de uma forma mais compreensível: isto é, de uma forma que possamos entender a bondade e a verdade do plano de Deus tão bem que ansiemos por participar nele - e não o façamos apenas para obedecer à lei de Deus ou por medo de punição. Viver de acordo com esse plano não é o desejo de Deus somente para casais e famílias católicas, mas também para toda as pessoas do mundo – é uma boa nova que precisa desesperadamente de ser ouvida, porque, como dizia o Papa Bento XVI o Ocidente está prestes a perder-se radicalmente para o secularismo. E como tem dito insistentemente o Papa Francisco, não podemos continuar a permitir a colonização ideológica que se destina a destruir a familia e a visão binária da sexualidade. 

Texto de Maria José Vilaça

Share