Educar Com Liberdade | Familiarmente Janeiro 2020

Escola de Pais – III

EDUCAR COM LIBERDADE

O que é que permite, a alguém que educa, aceitar a liberdade do outro? Como é que se pode confiar, quando se observa que o outro é vulnerável, não está ainda maduro e corre muitos riscos quando exposto ao mundo? 

Educar Com Liberdade | Familiarmente Janeiro 2020

Antes de mais, uma personalidade adulta só se forma enfrentando, por si própria, os diferentes desafios da vida, com responsabilidade nas suas escolhas. É preciso pôr os filhos em contacto com o ambiente humano, na sua diversidade, e favorecer um encontro pessoal e progressivamente autónomo com a realidade que os rodeia. Aquilo a que vulgarmente se chama ‘dar liberdade aos filhos’ é o âmago da educação, o ponto de verificação de tudo o que se fez até aí e a possibilidade de eles se fortalecerem, mesmo que através de algumas quedas, como acontece com todos nós. 

O ponto fulcral está na natureza humana, que traz uma marca que é comum aos filhos e aos pais. Na adolescência, a necessidade de afirmação por oposição e o fascínio pelos estilos do tempo, que comportam em geral alguma ruptura com o passado, tendem a cavar um fosso cultural entre as duas gerações, que é mais aparente do que real. Há uma linguagem de gostos, instrumentos, hábitos e preferências dos mais novos que os mais velhos não dominam. E os mais novos sentem-se impotentes e incompetentes, mesmo que o não admitam, diante da capacidade, da autonomia e do saber fazer dos mais velhos. Parecem dois mundos. Mas a chave da comunicação está na origem. O coração de uns e outros é feito com a mesma sede de plenitude que nem as inovações do presente, nem as conquistas do passado chegam para satisfazer. Por isso, o ponto não é tanto o que se deixa fazer e quando, mas como se ajuda a descobrir e fortalecer um coração verdadeiramente humano. Por isso, em toda a educação, mas especialmente na adolescência, educa-se sobretudo caminhando para o ideal e dando testemunho.

A única atitude educativa razoável é uma humildade diante do mistério do Ser, de Deus que fez e faz os filhos e os pais, que os ama mais do que pode um coração humano. A educação é talvez o compromisso mais humano que existe. Requer, portanto, uma posição humilde nas tentativas. Educar faz-se por tentativas de aproximação ao outro e à meta. Tentativas que umas vezes são mais defensivas, dominadas pelo medo, tentando proteger o filho dos embates da vida, e outras vezes são mais temerárias, deixando os filhos avançarem à mercê dos seus instintos, sem um critério. É preciso um robustecimento constante e vigilante da pessoa dos pais e educadores porque tudo se joga na sua fidelidade àquilo que propõem aos filhos. No fim, é isso que é decisivo e recordado.

Madalena Fontoura

 


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