Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020

 

Neste número propomos dois textos importantes que falam dos frutos da proposta educativa. Num abraçamos esta alegria de partilhar a vida com um filho adulto que caminha grato pelo que lhe foi dado. Como diz a Madalena Fontoura: “A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto.”  

 

No outro apresentam-se os riscos de uma educação que não procura o sentido profundo da vida, evitando o sofrimento que surge naturalmente no caminho. Neste texto o Pe. Pedro Quintela oferece-nos este vislumbre, fruto da sua experiência de acompanhar tantas pessoas que vivem da forma mais dura este drama 

 

E QUANDO OS FILHOS JÁ SÃO GRANDES E SENHORES DAS SUAS ESCOLHAS?  

 

Quando eram pequeninos e dependiam dos pais para tudo, parecia muito exigente, porque tudo girava à volta deles e não havia tempo nem cabeça para mais nada. Quando já andam, falam, percebem e vão à escola, uma primeira impressão de alívio transforma-se num novo desafio: o instinto de protegê-los, a tentação de achar que mais ninguém os compreende e que o mundo é hostil e ameaçador. A adolescência traz consigo uma robustez física e uma desenvoltura mental que poderiam dar uma trégua. Mas com ela vem a estranheza, um certo temor, a distância de idade, que parece um abismo precisamente na altura em que se queria estar mais próximo. 

 

Escola de Pais IV | Familiarmente de Fevereiro 2020E quando os filhos já são grandes e senhores das suas escolhasDiz o sábio ditado, “filhos criados, trabalhos dobrados”. Não há maior desafio do que ser companheiro de um filho adulto na estrada da vida. Sobretudo se for pedido aos pais enfrentarem maus passos dos filhos, fraquezas, rupturas, travessias solitárias. Aí, mais do que em qualquer dos momentos anteriores, é posta à prova a fé. Jesus contou a história do filho pródigo talvez a pensar nestes filhos. E nestes pais. 

 

Ser pai e mãe de um filho adulto requer clareza sobre o destino e pés ao caminho. Um filho precisa de um lugar para o seu regresso. E o lugar mais hospitaleiro é um coração de peregrino. O filho volta e encontra um pai, uma mãe, que caminham. Essa é a juventude dos pais, que resiste às diferenças de idade. Uma humanidade que Cristo conquistou e venceu é um milagre de juventude. 

 

A unidade de vida é uma herança pronta a ser entregue a um filho adulto. Não somos nós que damos sentido às coisas. A ligação que une tudo que existe e acontece é objetiva. A certeza de um desígnio, o desejo de conformar cada vez mais a vida ao significado último e de caminhar nesse significado dá aos pais uma fisionomia de homens e mulheres novos, que um filho adulto em algum momento surpreenderá e desejará. 

 

A esperança, essa certeza na vitória do bem que caracteriza os que se reconhecem de Deus, permite que em tudo o positivo prevaleça, a centelha de bem seja valorizada e haja sempre um olhar limpo sobre um filho, vá por onde for. É preciso uma pobreza e uma simplicidade para conservar esta capacidade de ver o que há de bem no coração humano. Porque nos filhos, como nos pais, a salvação virá sempre através do humano. É na humanidade, mesmo que ferida, perdida ou distraída, que vibra a nostalgia do bem. E esse é o começo do regresso. 

 

Madalena Fontoura


 

 Ainda na rubrica do Familiarmente deste mês de Fevereiro: