PASTORAL DA FAMÍLIA

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Formação do Casal : 1+1 = 3 - Maria Teresa Ribeiro

Formação do Casal : 1+1 = 3 - Maria Teresa Ribeiro

A constituição de família continua a ser um desejo profundo do ser humano e um casamento duradouro e feliz faz parte do projecto de vida da maioria das pessoas. Na verdade, constata-se que o casamento, enquanto fenómeno universal, constitui um dos principais determinantes de satisfação com a vida em quase todas as culturas, países e religiões.

À semelhança dum organismo vivo, também a família sofre um processo de desenvolvimento no sentido da sua evolução e complexificação, passando por um ciclo de vida no qual se podem distinguir fases de desenvolvimento - desde 2 (crescimento e decrescimento) até 5, 8 ou 24 fases (consoante os investigadores). Trata-se de uma sequência previsível de transformações na organização familiar, em função do cumprimento de tarefas de desenvolvimento bem definidas. Tais tarefas de desenvolvimento da família relacionam-se com as características individuais dos seus elementos (eg. características e idade do casal e dos filhos) mas também com a pressão social e cultural para o desempenho adequado das tarefas essenciais à continuidade funcional do sistema-família. Optando-se por um modelo de ciclo de vida familiar intermédio no que se refere ao número de fases (8) - formação do casal, nascimento do primeiro filho, casal com filhos em idade pré-escolar, casal com filhos em idade escolar, casal com filhos adolescentes, casal com filhos adultos, casal na fase de “ninho vazio” e envelhecimento – dedicamo-nos, neste artigo especialmente, à formação do casal. 

Com efeito, uma relação estável e feliz continua a fazer parte do projeto de vida da maioria das pessoas. “Ser casal” é a relação mais estreita e mais íntima que pode existir entre uma mulher e um homem que se escolhem livremente e com expectativas elevadas de felicidade. Mas, apesar da visão popular, positiva e romântica, “tornar-se um casal” constitui uma das transições mais complexas e difíceis no ciclo de vida familiar. O casal em construção depressa toma consciência das suas próprias exigências e do modo como elas podem entrar em conflito com as necessidades individuais dos cônjuges que lhe deram vida. No processo de formação e de consolidação do casal, marido e mulher diferindo pelo seu sexo, pela sua identidade, pela sua própria história, pela cultura da família de origem, vão fazer uma síntese operante - o "nós" – a relação. Como todos os casais funcionam como unidade de relação (nós) e como pessoas (eu e tu) - o "1+1=3". A construção do “nós”, área de encontro do casal que se pretende cúmplice e protectora pode, pois, ser o porto seguro onde o “eu” e o “tu” encontram estímulo para se desenvolver e realizar ou, diferentemente, pode amplificar dificuldades individuais e relacionais que os afastam e os impedem de um relacionamento mais íntimo e feliz.

Cada casal constrói a sua identidade de casal e de pais, fazendo a gestão das diferenças e da complementaridade, ou seja, ajustando o que se espera de um homem e de uma mulher, de um pai e de uma mãe, em casal, com o que aquele homem e aquela mulher específicos pretendem ser enquanto pessoas, casal e família. E, assim como cada ser humano é único e irrepetível, cada casal (aquela mulher com aquele homem) é, também, único e irrepetível. Não há outro igual no mundo.

Sendo frágil a relação do casal actual, como se pode constatar pelas estatísticas designadamente do divórcio, não deixa de ser, também, uma entidade forte, sobretudo devido à sua flexibilidade de adaptação aos diferentes contextos de tempo e de espaço. De facto, é uma estrutura sem concorrente real na cultura, em parte devido ao seu fundamento biológico de continuidade da espécie, em parte devido ao espaço rico de relações amorosas em que se tem vindo a transformar. No entanto, o amor é muito mais do que emoção, é um conjunto de sentimentos conscientes através dos quais é possível expressar uma vontade – a vontade de amar o outro, a vontade de ser amado pelo outro, a vontade de criar uma relação que seja ‘nossa’. É neste sentido que se diz que ‘amar é, também, querer amar’. Afectos, cognições e comportamentos surgem no amor de uma forma tão simultânea e complexamente relacionada que não é possível isolá-los. Sem desvalorizarmos os afectos e os sentimentos, o amor, na sua essência, é uma decisão.

É consensual, entre os estudiosos do tema, que a passagem para uma “vida a dois” confronta cada um dos membros do casal com uma nova realidade plena de desafios que exige respostas novas e adaptações específicas. Destacam-se como tarefas de desenvolvimento da formação do casal: o aprofundamento do amor surgido durante o namoro; a construção da identidade da relação (e.g. que aspectos de que modelos das respectivas famílias de origem vão ou não ser adoptados pelo novo casal e como); o desenvolvimento de acordos sobre envolvimento, proximidade, intimidade psicológica, autonomia/intimidade, poder; o ajustamento de hábitos e costumes; o ajustamento de papéis e funções; o estabelecimento de nova rede de relações sociais. 

O facto de existir uma história comum da família/casal confere identidade no meio das mudanças e adaptações inerentes a um desenvolvimento individual e conjunto, necessário por causa das mudanças das estruturas sociais, familiares e educacionais. E a manutenção do amor no casal é um processo diário de descoberta e construção de diferentes formas de amar e ser amado que acompanhem a evolução de cada um dos cônjuges ao longo do seu desenvolvimento.

Para nós, católicos, o casamento é um sacramento e, por isso, o “1+1=3” adquire uma outra leitura com outro significado – é O infinito (Deus) que vem ao encontro de finitos (eu, tu, a relação). Somos chamados a ser homem, ser mulher, ser casal, ser família à imagem e semelhança de Deus. De Deus que é Amor…E como é o Amor de Deus? Deus ama-nos com um Amor que é livre e gratuito, total, fiel e fecundo. O Sacramento é um sinal do amor de Deus (ajuda concreta para que possamos amar como Deus nos amou, com um amor fiel e capaz de chegar ao extremo pela outra pessoa) e um sinal do amor a Deus (porque Lhe oferecemos nos momentos de sofrimento e crise, o nosso amor, fazêmo-Lo co-participante do nosso compromisso e pedimos-Lhe ajuda para o cumprir com fortaleza e generosidade).

 

Maria Teresa Ribeiro

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