PASTORAL DA FAMÍLIA

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Formação do Casal : 1+1 = 3 - Joana e João

Formação do Casal : 1+1 = 3 - Joana e João

Estranha a matemática das coisas de todos os dias. Parece que vai sempre cabendo mais um à mesa, parece que afinal o pão sempre vai dando, parece que até na mais esquálida manjedoura sempre vai nascendo, uma e outra vez, quem nos leva de volta a casa. Quando começamos a construir o nosso matrimónio, quando nos decidimos a isso, estamos a fundar uma novidade irrepetível na história da existência humana. O nosso sim cria, de facto, uma realidade absolutamente nova, muito maior que apenas duas vidas a correr em paralelo. E é a única vez na vida em que uma conta errada, bate certa! 1+1=3.

É preciso, contudo, reconhecer que esta matemática depende mais da liberdade dos factores que da lógica. 1+1 só será 3 se deixarmos, se trabalharmos por isso, e na medida em que nos deixarmos crescer em conjunto, em que nos deixarmos amadurecer pela graça que recebemos no dia do nosso casamento. Esta operação não se faz numa folha quadriculada, mas na vida de todos os dias,  implica opções concretas sobre rotinas e estilos de vida. Implica ceder, deixar-se conduzir, cuidar para que o outro brilhe; implica alimentar o amor e não dar trela àquilo que o gasta. Implica estar disposto a perdoar, a recomeçar. O risco é que se 1+1 não for 3, facilmente acaba por ser 0. A soma que não se cuida passa a ser um choque frontal de duas pessoas diferentes, com histórias e manias diferentes, com ambições e sonhos diferentes -  facilmente deixa de ser soma e passa a ser apenas diferença. 

Não serão muitas as situações da vida que nos mostrem com tanta eloquência que nem sempre chegamos para tudo como a construção e o cuidado da vida familiar, especialmente quando chegam os filhos, tipicamente numa fase em que o trabalho também exige muito de nós. A sagrada beleza e limpidez da vida diária, tantas vezes revelada em relances fugazes, é tantas outras trespassada de cansaços e poeiras, zangas e limitações.

Mas a vida pode seguir e florescer, e nós com ela, se soubermos permanecer. Somos levados ao colo por Alguém, sustentados por um impulso maior do que a resultante das nossas forças. E é nessa tangência do limite que levantamos os olhos e vemos chegar o nosso auxílio. É para amparar o que não podemos e desvendar o que não sabemos que a graça do matrimónio se derrama transbordante e silenciosa, em torrentes que às vezes só se conseguem ver mais adiante, ao olhar para trás. É muitas vezes no limite que damos conta de que sempre estivemos ao colo de Deus. Só que Ele está sempre à nossa porta e chama. Deus entrará e ceará em casa de quem ouvir a Sua voz e Lhe abrir a porta. O grito de alma é amplificado em Deus. A nossa voz faz eco. 1+1=3.

No episódio das bodas de Canãa, está Nossa Senhora a suplicar a acção de Jesus, para bem dos noivos - e dos convidados, na verdade. Podemos ter a mesma confiança. A Mãe da Igreja tem por todas as famílias uma ternura igual à desse dia, de atentamente cuidar do que precisamos ao mesmo tempo que nos educa no reconhecimento e obediência a Deus, pelo seu Filho. Melhor que ninguém, Maria e José viram no seu casamento o fruto perfeito do Amor Encarnado. Não somos todos chamados a ser pais da segunda pessoa da Santíssima Trindade, mas somos todos chamados e capacitados pela graça do sacramento do matrimónio a ser sinal do amor de Deus para o mundo. Na verdade, 1+1=3 tende para o infinito, como o nosso coração.

 

Joana Cordovil Cardoso e João Corrêa Monteiro

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