PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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A alegria de dar

A alegria de dar“Hoje muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, para toda a vida, porque lhes parece impossível”, disse o Papa, Francisco recentemente falando a um alargado grupo de casais e de noivos. E, afinal, quando se está perante um ‘romance perfeito’, porquê ceder ao medo do compromisso, ao ponto de adiarem a sua entrega plena para que sejam um só em tudo?

De facto, a entrega de um ao outro na união matrimonial é a mais profunda e consequente dádiva de amor: no amor que recebemos de Deus e que por Ele é alimentado nos sacramentos.

 

A participação nos sentimentos de Cristo em relação aos outros é, em si mesma, um acontecimento de revelação de Deus. É que o homem, acostumado a dizer ’eu amo-te’, esvaziou de sentido a palavra Amor, na medida em que amar não é só querer bem, amar não é desejar para si. Amar é ir ao encontro do outro, é dar-lhe a oportunidade de ser diferente num caminho a dois, é dar a vida por ele.

Na alegria de dar está o compromisso de cada um em seguir verdadeiramente a Jesus. Ele, que veio à nossa pequenez, veio ao nosso encontro para nos dar a grandeza da divindade, num amor perfeito, que torna confiante quem assim se sente amado.

Se nos reportarmos à passagem das bodas de Caná, constatamos que há uma sucessão de factos que alteram profundamente a relação entre os presentes: Maria inquieta, mas no seu amor maternal, alerta para a falta de vinho; Jesus que sai de si mesmo para ir ao encontro dos noivos e do amor humano pelos convidados; o chefe de mesa que rejubila com o excecional vinho que pode servir. Enfim, uma sucessão de factos que alteram as circunstâncias pela alegria de dar, nesta capacidade de fazer feliz o outro.

O mundo de hoje tem dificuldade em fazer a paz, pois o diálogo é quase impossível, desde os que têm responsabilidades governativas dos povos, até aos próprios elementos da família - dos esposos entre si e entre pais e filhos. As discussões geram roturas, destruindo a harmonia e a paz essenciais à felicidade de todos.

O que marca os tempos modernos não é, afinal, mais do que a ideologia do progresso e do bem-estar, ficando a fé em Deus relegada para uma inutilidade residual, que só os fracos e os desprovidos de cultura continuam a aceitar e seguir. Ora o que é fraco e residual é a relação do homem com o seu semelhante, quando hoje se vive uma relação virtual com os que estão longe, ignorando os que estão perto.

Mas o mundo é cheio de contradições e aqui queremos sublinhar o enorme trabalho de voluntariado que é desenvolvido aos vários níveis, seja nos Bancos Alimentares contra a fome, seja numa ação sócio caritativa paroquial, seja ainda nos muitos grupos de assistência aos Sem-Abrigo, ou aos que aguardam a visita do Ministro Extraordinário da Comunhão.

O Senhor Jesus identificou-se particularmente com os necessitados, os quais exigem o amor concreto. Neste sentido do “dar-caridade”, experimenta-se uma realidade sensível concreta, que atinge a dignidade dos que estão nas fronteiras, permitindo a evangelização numa ação pessoal. Ou seja, o dar como expressão de uma tensão viva que se torna irreprimível, é evangelização, porque nasce de dentro para fora, para ir ao encontro do outro, apontando para Jesus.

“O pai, porém, disse aos servos: Trazei-me depressa a melhor roupa e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também o novilho gordo, matai-o, comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se.” (Lc 15, 22-24)

Publicado na rubrica Familiarmente do Jornal Voz da Verdade de 9 de Março de 2014.

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