PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Jesus, um exímio contador de estórias

Jesus, um exímio contador de estóriasJesus falava do seu mundo como o mundo de Deus, como o Reino, ou seja como a família emergente de Deus. E nestas abordagens Ele apresentou novas situações, novas maneiras de sentir para abrir o coração e o espírito de muitos que o ouviam, através de parábolas.

Por aquelas bandas alguns achavam que o homem anunciado por João, o Baptista, iria aparecer como um rei, outros imaginavam que ele apareceria como um general acompanhado de uma grande escolta; outros ainda pensavam que ele era uma pessoa riquíssima que viria numa elegante carruagem, com inúmeros servos. Todos o aguardavam ansiosamente. Porém, na sua verdadeira simplicidade, ninguém reparou nele pelo seu aspeto, mas apenas pela sua Palavra.

 

O Mestre dos Mestres – Jesus – andava pelas cidades e à beira das praias discursando sobre os mais belos sonhos: eram histórias com sentido e significado que saíam da sua boca. Eram sonhos que mexiam com os desejos fundamentais do ser humano de todas as eras. Essas verdadeiras histórias de vida tocavam o inconsciente coletivo e traziam dignidade à existência tão breve, tão bela, mas tão sinuosa. É assim também hoje quando escutamos as Parábolas de Jesus.

Por outro lado, o verdadeiro mundo que Jesus revelou devia parecer a muitos dos seus contemporâneos um mundo impraticável, um mundo de loucos, na medida em que Jesus irrompeu na Palestina daquela época trazendo consigo uma nova consciência, uma sabedoria que as Escrituras designariam por sabedoria de Deus.

As parábolas são, portanto, ilustrações que Jesus usou para tornar mais próximo o entendimento de um novo mundo. Aliás, são um apelo a uma nova atitude pela consciência de uma nova perspetiva dos acontecimentos, apontando um caminho diferente. São exemplos “a dracma perdida” (Lc 15, 8-10); “a figueira estéril” (Lc 13, 6-9); “o filho pródigo” (Lc 15, 11-32); “a semente de mostarda” (Mt 13, 31-32); “os trabalhadores da vinha” (Mt 20, 1-16), entre muitas outras.

Lendo nas entrelinhas dos Evangelhos, parece muito claro que Jesus tinha um sentido profundo do encanto. E sabia transmiti-lo de uma maneira nova.

Jesus ficava deslumbrado com a beleza dos lírios do campo. Jesus maravilhava-se com as aves do céu que encontram alimentos sem terem de semear, de ceifar ou de armazenar nos celeiros (Mt 6, 26ss). Reparava na beleza, no milagre do trigo que cresce de forma silenciosa e invisível, enquanto o agricultor dorme: “a terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e finalmente o trigo perfeito na espiga” (Mt 4, 28) – assim acontece com os pais agradecidos a Deus pelo dom dos seus filhos.

À pergunta do doutor da lei “quem é o meu próximo?”, Jesus noutra ocasião apresenta um outro quadro, apresenta a parábola do samaritano: se todos julgavam que o próximo era o homem caído na estrada socorrido pelo samaritano, a história revela uma outra perspetiva: é o samaritano que se fez próximo do homem assaltado pelos ladrões.

Muitas das parábolas atrás referidas e muitas outras “contadas” por Jesus são carregadas de sentido para explicar a mudança do tempo de Israel em tempo de Reino de Deus, porque é a partir d’Ele que se constrói o Reino de Deus, o povo novo de salvação.

O Verbo eterno, que ganha forma humana no seio virginal de Maria, tornou-se para nós imagem verdadeira de Deus Pai. Desta forma, a Palavra de Deus assumia a nossa imagem, para que pela imagem de Cristo fôssemos capazes de compreender a Palavra de Deus.

Publicado na rubrica Familiarmente do Jornal Voz da Verdade de 13 de Julho de 2014

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