PASTORAL DA FAMÍLIA

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Catequese doméstica sobre a diminuição da fecundidade

Catequese doméstica sobre a diminuição da fecundidadeNeste tempo de Advento em que esperamos esta grande alegria que é o nascimento do Salvador (cf. Lc 2, 11), propomos uma reflexão sobre a fertilidade. Ontem uma tia contava-me que nos anos sessenta, na rua da pequena vila onde morava, conviviam cerca de 50 crianças, pois cada casal tinha muitos filhos. Hoje constata que em toda a vila não existem essas mesmas 50 crianças, sinal e consequência do envelhecimento que se vive na sua vila. Esta constatação provavelmente pode ser observada por muitos dos leitores, que nos seus bairros, vilas ou aldeias assistem a uma situação semelhante, e que traduz a redução do número médio de filhos por mulher que se operou nos últimos 40 anos. De acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estatística sobre a evolução da taxa sintética de fecundidade em Portugal, se em 1970 esta média se cifrava nos 3 filhos por mulher, em 2013 esta média situa-se em 1,21 (o valor mais baixo em toda a União Europeia), valor muito inferior aquele que se considera necessário para manter a renovação das gerações (2,1). Esta informação estatística diz-nos que estamos neste momento num período de acentuado decréscimo e envelhecimento da população, o qual só não é mais célere devido aos efeitos da imigração.

 

Perante este fenómeno que não só afeta Portugal, mas o mundo inteiro, o Conselho Pontifício para a Família apresentou a Declaração sobre a diminuição da fecundidade no mundo, texto de 1998 cujos fundamentos permanecem bastante atuais. Para este envelhecimento da população e decréscimo demográfico, contribuem muitas causas como apresenta o documento: a diminuição da nupcialidade; o aumento da idade média em que se têm os filhos; a pressão laboral; a ausência de uma política familiar; a difusão das técnicas químicas de contraceção; a legalização do aborto; o pessimismo da população; as expectativas sócio-económicas. Contudo, ainda que fundamentada pelo desejo das melhores condições que desejamos para nós e para aqueles que nascerão, esta situação acarreta consequências nefastas para todos, pois necessariamente resulta num empobrecimento da humanidade. Em primeiro lugar pelo inestimável valor de cada vida humana. Mas também se reflete nas condições materiais de vida da população, como se vê na maior dificuldade em apoiar aqueles que não têm mais condições para trabalhar, e que são cada vez mais do que aqueles que o podem fazer.

Como sempre, e ainda mais em face desta situação, urge promover a vida humana. No seguimento da Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Evangelho da Vida (EV), “cada um dos crentes, é chamado a professar, com humildade e coragem, a própria fé em Jesus Cristo, «o Verbo da vida» (1 Jo 1, 1)” (EV 29). Esta missão, que decorre da própria missão de Cristo, implica-nos, levando-nos a “promover, defender, venerar e amar a vida” (EV 42) de cada homem, que é imagem de Deus. Esta responsabilidade atinge “o auge na doação da vida, através da geração por obra do homem e da mulher no matrimónio” (EV 43). Como tal, neste momento de particular esperança que é o Advento exortamos todas as famílias à abertura à vida, cientes da alegria que brota da nova vida. Já assim nos diz o evangelista João, pois a mulher “quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo” (Jo 16, 21).

Nuno Fortes

Publicado na rubrica Familiarmente do Jornal Voz da Verdade de 14 de Dezembro de 2014

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