PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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A Alegria do Evangelho

A Alegria do EvangelhoEm pleno caminho sinodal, a catequese doméstica deste mês apresenta a exortação que serve de instrumento de trabalho para esta etapa que a Diocese de Lisboa está a viver. Falamos de “A Alegria do Evangelho”, a primeira exortação apostólica do Papa Francisco. Trata-se de um documento que há-de conduzir a vida da Igreja nos próximos tempos, tal como diz o Papa: «Não ignoro que hoje os documentos não suscitam o mesmo interesse que noutras épocas, acabando rapidamente esquecidos. Apesar disso sublinho que aquilo que pretendo deixar expresso aqui, possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma “simples administração”. Constituamo-nos em “estado permanente de missão”, em todas as regiões da Terra» (EG 25).

Nesta exortação o Papa recolhe a riqueza dos trabalhos sinodais sobre a “Nova Evangelização e transmissão da fé” e as preocupações que movem a obra evangelizadora da Igreja (cf. EG 16). As diretrizes deste documento baseiam-se na doutrina da Constituição Dogmática Lumen Gentium, mais especificamente nos seguintes temas: a) a reforma da Igreja em saída missionaria, b) as tentações dos agentes pastorais, c) a Igreja vista como a totalidade do Povo de Deus que evangeliza, d) a homilia e a sua preparação, e) a inclusão social dos pobres, f) a paz e o diálogo social, g) as motivações espirituais para o compromisso comunitário.

O primeiro capítulo desta exortação introduz-nos neste “sonho missionário de chegar a todos” (cf. EG31). O Papa pede uma transformação missionária da Igreja; pede uma Igreja que saia às periferias da existência humana: «Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! (...) Prefiro uma Igreja acidentada, ferida, enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças» (EG49). Para isso é preciso partir do coração do Evangelho, do essencial da mensagem cristã, ou seja, a beleza do amor salvífico de Jesus. Lembra-nos ainda que a Igreja é uma mãe de coração aberto, e por isso pede que as comunidades cristãs estejam de portas abertas, prontas para acolher: «a Igreja é uma casa paterna e não uma alfândega» (EG47).

No Segundo capítulo o Papa descreve o contexto em que temos de viver e atuar, falando-nos da crise do compromisso comunitário em que este mundo está imerso. Apresenta-nos esta crise não apenas como uma constatação, mas acima de tudo como um desafio que somos chamados a enfrentar para o transformar.

O anuncio do Evangelho é o tema do terceiro capítulo. Nele o Papa começa por nos dizer que o anuncio do Evangelho não é tarefa de alguns especialistas, mas é tarefa de todo o Povo de Deus; os carismas de todos e de cada um estão ao serviço da comunhão evangelizadora. A evangelização acontece pela simplicidade do testemunho de vida, por contágio; acontece pessoa a pessoa. Numa segunda parte deste capítulo, o Papa Francisco fala-nos da importância da homilia e da pregação como momento verdadeiramente evangelizador. Por fim, apela a que a Igreja seja mais querigmática, pois o primeiro anúncio da fé cristã deve ocupar o centro da atividade evangelizadora da Igreja: «Jesus Cristo, ama-te, deu a Sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar» (EG164).

O quarto Capítulo apresenta-nos a dimensão social da Evangelização, pois evangelizar é tornar o Reino de Deus presente neste mundo. O Papa lembra-nos que o querigma (primeiro anuncio da fé) possui um conteúdo inevitavelmente social, pois no coração do Evangelho aparece inevitavelmente a vida comunitária e o compromisso com os outros (cf. EG177)

O quinto capítulo desta exortação intitula-se “Evangelizadores com Espírito”. O Papa diz-nos que Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa-Nova, não só com palavra, mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus; isto acontece no encontro pessoal com o amor de Jesus Cristo que nos salva. A última parte deste capítulo apresenta-nos Nossa Senhora, como Mãe da Evangelização. Nossa Senhora é a missionária por excelência que vai ao encontro das periferias da existência humana e apresenta-as ao seu Filho quando lhe diz: «não tem vinho».

Que Nossa Senhora nos ajude a dizer o nosso “sim” para que a Igreja possa cada vez mais fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Texto escrito por Pe. Rui Pedro Trigo Carvalho, publicado na rubrica Familiarmente do Jornal Voz da Verdade de 8 de Março de 2015

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