Catequese Doméstica: A família e o contexto antropológico-cultural

Capítulo I do Relatório final do Sínodo dos BisposCatequese Doméstica: A família e o contexto antropológico-cultural

Recentemente o Pe. José Granados Garcia, participante no Sínodo sobre “a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”, recordava: “O Papa desde o início sublinhou que o Sínodo não era um congresso ou um parlamento, mas sim uma forma de tentar ver os melhores caminhos de Deus para as famílias”.

 Este mês olhamos o capítulo I do Relatório Final do Sínodo, que aborda o contexto antropológico, sociocultural e religioso da família contemporânea - porque quando se fala de família é importante conhecer e compreender o mundo em que esta se insere.

Do ponto de vista sociocultural, salienta-se que “a solidez dos laços familiares continua, em toda a parte, a manter o mundo em vida”. Porém, verifica-se a crescente “afirmação de um individualismo exasperado, que desnatura os laços familiares” (cf. nº5).

Em algumas regiões do mundo a dimensão religiosa tende a confinar-se à esfera privada e familiar, dificultando o testemunho e a missão das famílias cristãs. Noutras regiões, “os efeitos negativos de uma ordem económica mundial injusta levam a formas de religiosidade expostas a extremismos sectários e radicais” (cf. nº6).

A resistência a compromissos definitivos, a consequente diminuição no número de matrimónios, o aumento de separações e divórcios e a quebra da natalidade, reforçam uma sociedade individualizada, dificultam a formação de família e culminam no seu enfraquecimento (cf. nº7).

O matrimónio e a família ainda “gozam de grande estima e ainda é dominante a ideia de que a família representa o porto seguro dos sentimentos mais profundos e gratificantes”. Porém, “uma exasperada cultura individualista da posse e do gozo” pode gerar “dinâmicas de intolerância e agressividade”. Homem e Mulher são complementares, ao contrário do que a teoria do género procura veicular, ao negar a sua “diferença e a reciprocidade natural” (cf. nº8).

A “qualidade afetiva e espiritual da vida familiar está gravemente ameaçada pela multiplicação dos conflitos, pelo empobrecimento dos recursos, pelos processos migratórios” (cf. nº9).

Apesar da crise cultural e social atual resultarem no enfraquecimento da família, esta comporta uma força capaz de remediar as suas fragilidades. “Essa força reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar. Por muito ferida que possa estar uma família, pode sempre crescer a partir do amor” (cf. nº 10).

Por Liliana Pratt e Nuno Rocha