PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Como podemos manter viva a chama do nosso amor?

 Como podemos manter viva a chama do nosso amor?Uma parte das pessoas que se casam não sabem o que fazem. Casam-se...

             - «Mas tu sabes que isto é um sacramento?»

             - «Sim, sim, e por isso deverei confessar-me antes, fá-lo-ei e também receberei a comunhão»

             - «E sabes que isto é para a vida inteira?»

             - «Sim, sei, sei...».

Mas não o sabem, porque esta cultura do provisório penetra profundamente em nós, nos nossos valores, nos nossos juízos, que depois significa, para o dizer assim, simplesmente — significa:

     - «Sim, sim, estarei casado enquanto durar o amor, e quando o amor terminar, acabará o matrimónio».

Não se diz, mas a cultura do provisório leva-te a isto. E a meu ver a Igreja deve trabalhar muito neste ponto, com a preparação para o matrimónio. Na Amoris laetitia há um capítulo, um capítulo dedicado a isto. Uma senhora certa vez disse-me:

-      «Vós, sacerdotes, sois astutos: para vos tornardes presbíteros estudais oito anos, e então estais aptos; mas se algo não vos agrada, ou se encontras uma moça da qual gostas e não queres continuar, depois de pouco tempo fazeis um procedimento e ides à Santa Sé, que vos dá a dispensa, e assim podeis casar e formar uma família. Quanto a nós, que recebemos um sacramento indissolúvel e para a vida inteira, o mistério de Cristo e da Igreja, e dura toda a vida, vós preparais-nos com apenas três ou quatro conferências?».

É verdade: a preparação para o matrimónio. É melhor não casar, não receber o sacramento, se tu não estiveres certo de que ele contém um mistério sacramental, o abraço do próprio Cristo com a Igreja, se não estiveres bem preparado.

Depois, há as dimensões cultural e social. É verdade, casar é uma questão social, sempre foi uma questão social, porque é bonito casar, em todas as culturas: há tantos ritos bonitos, lindos, nas culturas... quando o jovem vai ao encontro da jovem, quando a acompanha… muitos aspetos bonitos, que indicam a beleza do casamento. Mas este aspeto social, na cultura do consumismo, da mundanidade, às vezes favorece a provisoriedade e não nos ajuda a levar a sério [o matrimónio].

Recentemente recordei que telefonei a um jovem que eu conhecia; telefonei-lhe, porque a sua mãe me tinha dito que ele iria casar; eu conheci-o quando celebrava a Missa aqui em Ciampino. Eu disse-lhe:

«Soube que te casas…»

«Sim, sim!»

«Fá-lo-ás naquela igreja?»

«Mas, na realidade não sabemos, porque depende do vestido da minha noiva, que harmonize com a igreja, para a beleza...».

«Ah, que bonito, que lindo… E quando?»

-  «Daqui a poucas semanas»

«Ah, muito bem. Estais a preparar-vos bem?»

«Sim, agora vamos, estamos à procura de um restaurante que não seja demasiado caro, e também as lembranças de casamento, isto, isso e aquilo...».

Que sentido tem este casamento? É puramente uma questão social, uma questão social. E pergunto-me: estes noivos — bons — estão livres desta cultura mundana consumista, hedonista, ou a questão social leva-os a cair nesta falta de liberdade? Porque o sacramento do matrimónio só se pode receber com liberdade. Se tu não estiveres livre, não o recebas!

E depois, há algo de que devemos cuidar. Gosto de me encontrar, tanto nas Missas em Santa Marta como nas audiências gerais, com os casais que celebram 50 e 60 anos de casamento, porque sempre falo com eles e eles dizem-me coisas... sentem-se felizes! Certa vez, um destes casais disse-me aquilo que todos gostariam de dizer, mas eles conseguiram dizê-lo. [Perguntei-lhes:] «Sessenta anos. Quem teve mais paciência?» — «Ambos!» — dizem sempre a mesma coisa — E depois: «Houve desavenças?» — «Quase todos os dias. Mas tudo bem» — «Sois felizes?», então comovi-me, porque se fitaram nos olhos: «Padre, estamos apaixonados». Isto é grandioso! Depois de 60 anos, isto é grandioso! E este é um dos frutos do sacramento do matrimónio: é a graça que o faz. Se todos pudessem entender isto!

E há uma última observação que gostaria de fazer. Que no matrimónio há desacordos, todos nós sabemos; às vezes voam pratos; são coisas que acontecem todos os dias. Mas o conselho que eu sempre dou é este: nunca termineis o dia sem fazer as pazes, porque eu tenho medo da «guerra fria», do dia seguinte. Sim, é extremamente perigosa! Quando te zangas e acabas o dia com raiva e não fazes as pazes naquele mesmo dia, a situação piora cada vez mais. «Mas como faço as pazes, Padre? Devo pronunciar um discurso?» — «Não, faz assim [faz o gesto de uma carícia] e é suficiente». Trata-se de um gesto, da linguagem dos gestos. E entre os gestos — por favor — não vos esqueçais da carícia: o carinho é uma das linguagens mais sagradas no matrimónio. A carícia: amo-te muito... O carinho... Casais que são capazes de se acariciar, de se amar, também com o corpo, com tudo, sempre... As carícias... Acho que assim será possível preservar a força do sacramento, porque até o Senhor acaricia com profunda ternura a sua Esposa, a Igreja. Vamos em frente assim!

Papa Francisco na visita ao colégio universitário “Villa Nazareth”, 18 de Junho de 2016

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