PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Equilíbrio familiar

Equilíbrio familiarNos dias que vivemos, ao refletirmos sobre as realidades Família e Trabalho, pensamos que é algo trivial porque, fazendo do Trabalho o ponto de partida e numa análise rápida e superficial, chegamos à conclusão de que este é indispensável para o sustento da Família e fechamos o assunto. No entanto, não se trata de um exercício fácil e óbvio, quando queremos ir mais fundo e descobrir os verdadeiros desafios que estas duas dimensões trazem à nossa vida: a sua interpenetração, a prevalência da Família sobre o Trabalho e… o “peso” que o próprio Deus lança com a Sua luz, são variáveis decisivas para as conclusões que surjam.

 

A minha experiência de vida de dezassete anos de casamento, outros tantos de carreira profissional e de cinco filhos que foram surgindo ao longo de quinze anos, foram determinantes para olhar a relação entre Família e Trabalho de uma forma tão diferente… E tal não significa que as conclusões estejam tiradas, bem pelo contrário, a maturidade que este caminho traz, faz-me perceber que dificilmente o contexto ideal com que por vezes sonho se realizará algum dia, que a realidade que vou vivendo me é proporcionada por Deus e que é nessa mesma realidade que Ele me concede a graça de ir trilhando o meu percurso de Salvação.

A primeira tendência que temos, como em tantas outras coisas na vida, é “engavetar” a Família e o Trabalho: quando estou em Família esquecemos o Trabalho e, na situação inversa com uma carga temporal muito maior, deixamos o resto, tranquilizando a nossa consciência com a justificação da subsistência, de querer dar o melhor aos nossos filhos, etc. quando o que realmente temos no nosso coração é ambição: uma carreira que nos dê poder, protagonismo, autossuficiência e que permita demonstrar, no plano material, que estamos acima dos outros e que conseguimos triunfar.

Rapidamente percebemos que uma separação destas não nos traz felicidade, bem pelo contrário, traz angústia, ansiedade e uma necessidade cada vez maior de que estes nossos princípios sejam entendidos ou, no mínimo, aceites pelos outros, em particular pela nossa Família que é a primeira a sentir as dificuldades da ausência e da falta de disponibilidade que o dinheiro não consegue compensar.

A minha realidade de vida diz-me que aquilo que procuro é um desafio diário. Com a presença de Deus na minha vida, sei ao que Ele me chama e só isso me ajuda a olhar a realidade de uma outra forma. Sei que sou chamado ao Trabalho porque faz parte da minha realização pessoal que se reflete nos que estão à minha volta, em particular na Família. Sei que, na profissão que exerço, não é possível “engavetar” porque é-me exigida uma disponibilidade em determinados momentos que não posso negar. Mas tenho consciência de que é muito ténue a linha que separa o que é realmente urgente, daquilo que temos mais tempo para fazer.

Esta tomada de consciência, que é iluminada por Deus e pela minha Família através da subtileza dos sinais a que tenho que estar atento a todo o momento, é aquilo de que preciso para o meu equilíbrio simplesmente porque, quando isso acontece, vivo no meu coração um sentimento grande de conforto e paz: Deus e a minha Família estão comigo, no mesmo barco, a remar no mesmo sentido!

E nos momentos mais difíceis, quando caio na tentação de sonhar com algo que não existe e que me esmaga com esse peso da impossibilidade de concretização, sou levantado pela Cruz de Jesus Cristo, para quem a vida não foi certamente fácil, e pelo olhar da minha Mulher e dos meus Filhos que me dizem: «Segue, que nós estamos contigo!»

Pedro Moutinho

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