A leitura e a escrita

A leitura e a escrita“À primeira vista, a realidade é desanimadora: Portugal está na cauda da Europa em relação à leitura: (…) o número de pessoas que leu pelo menos um livro nos últimos doze meses mal ultrapassa os 40%, numa tabela em que se destacam os países do norte da Europa e que a Suécia lidera com mais de 80% de respostas positivas. Uma em cada três pessoas confessa nunca ter lido jornais (…)”. In Revista do Montepio, Verão 2013

Estes números podem não corresponder perfeitamente à realidade, podem mesmo estar inflacionados, mas o facto é que se lê pouco e, quando se lê, muitas vezes os livros ou revistas escolhidos deixam muito a desejar.

Podemos ver como a televisão e as suas séries e telenovelas ou talk-shows, os computadores e os jogos on-line, as redes sociais roubam tempo e espaço à leitura; podemos ver como a adolescência elege livros sobre vampiros e amores entre os mesmos e os humanos, comprando as publicações destas sagas sem sentido. Ou a compra obsessiva de muitas revistas que mais não fazem do que varrer a vida de cada um para a deixar exposta ao grande público, as mais das vezes dando relevo aos aspetos menos edificantes.

A literatura adequada será veiculada pela escola, dentro dos programas previstos para cada ano de escolaridade obrigatória. Mas é pouco! Cabe à família incentivar o gosto pela leitura, pelo livro e pelo manuseamento do mesmo. É importante reencontrar a magia de um livro por abrir, sentir o cheiro único de um livro antigo e passado de geração em geração.

Só lendo bons livros, obras escritas para cada faixa etária, as crianças e adolescentes podem fazer face a exames nacionais, onde o conhecimento da matéria é, muitas vezes, avaliado através da expressão escrita.

Por tudo isto, é imperativo que se volte ao bom livro, à leitura de tantos escritores de língua portuguesa que, com frases bem esgrimidas e estórias bem contadas nos fazem entrar em mundos mais ou menos fantasiosos, mas sempre mágicos.

É a leitura de dá a capacidade de escrita. Deixamos-vos com o exemplo de um trabalho de uma aluna de oitavo ano de uma escola da área de Lisboa. Do que ela tão bem nos diz, caberá a cada um tirar as suas conclusões.

“Para alguns, a expressão escrita é dispensável, mas para mim não.

Para mim, a minha caneta é como se fosse a minha boca e o papel são os ouvidos de um confidente com quem gosto de partilhar até as mais insignificantes palavras, ou então as ideias mais absurdas. A vantagem de lhe poder confiar os meus segredos mais obscuros é que ele não os revela a ninguém; tranca-os muito bem entre as suas linhas pautadas.

Através da escrita, posso ser quem quero; posso ter a quem desejo, criando personagens e histórias que ninguém poderá alterar.

Através da escrita, posso ter todos os meus sonhos realizados. A minha caneta dá-me esse poder.

Se a minha caneta disser que posso voar, assim será!

Se a minha caneta disser que sou feliz, assim será!

Se a minha caneta disser que viverei num mundo melhor, assim será!

Todas as mágoas que já tive, todas as lágrimas que já chorei, caem no papel em forma de palavras.

Todos os maus momentos vestidos de tristeza e de dor são despidos por uma borracha. E os momentos felizes, aqueles que para sempre ficarão guardados no meu coração, esses estão protegidos num abraço reconfortante, entre as linhas do meu caderno.

Confiável, protetora e boa ouvinte!

Afinal, a escrita é a minha melhor amiga.”

Jéssica Gomes

Publicado na rubrica Familiarmente do Jornal Voz da Verdade de 13 de Julho de 2014