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Testemunho: Educação Moral e Religiosa Católica após o 9º ano

Testemunho: Educação Moral e Religiosa Católica após o 9º ano
Tudo começou quando mudei para o secundário. Até aí nem questionava ter Religião e Moral porque, andando numa escola católica, a questão não se punha, mas com a mudança dei como garantido que nunca mais teria essa disciplina. Quando soube que a minha mãe me tinha inscrito fiquei chateada e revoltada porque achava que era uma vergonha estar inscrita em EMRC no 10º ano.

Ao princípio recusei-me a ir mas devido à insistência da minha mãe resolvi ir a primeira vez, só para avisar o meu professor que a minha inscrição tinha sido um engano. A aula inicial foi muito chata, os outros alunos eram calados e estranhos assim como a professora. Acabei por ir à segunda, mais uma vez por insistência da minha mãe, e foi nessa aula que surgiu a ideia de um novo projeto: todas as semanas, depois das aulas de sexta de manhã, ir fazer voluntariado a um Centro de Dia ali perto. Não desgostei da sugestão mas quando comecei a pensar que iria perder parte da minha tarde livre, quando soube que iríamos a pé, ainda sem almoço, logo depois de 4h30 de aulas, voltei a desistir. Conversei mais uma vez com a minha mãe e, novamente, ela me disse para ir só uma vez à experiência. E assim fiz. Sexta, depois das aulas, lá fui eu com os meus colegas a pé até ao Centro. Entrei e vi cerca de 20 idosos sentados, parados, desanimados a olhar para nós. Mas esse desânimo transformou-se num sorriso enorme quando lhes disseram que lhes iríamos fazer companhia uma hora por semana. Uma hora! Como seria possível que uma hora lhes fizesse diferença? Mas fez! Durante todas as semanas, durante dois anos, aqueles velhinhos esperavam ansiosamente por sexta-feira. Só para uns minutos de conversa, para um jogo de dominó, para ouvir umas canções ou apenas para nos ver.

Fiquei lá porque percebi que não era só eu que os estava a ajudar a eles, eram principalmente eles que me estavam a ajudar a mim. Muitos deles não tinham família, tinham sido abandonados e maltratados, mas mesmo assim sorriam e tentavam viver um dia de cada vez. Em nós encontraram uma razão de alegria, porque achavam que tinham a sorte de nos ter ali, quando aliás eu é que tinha orgulho em que me chamassem neta.

A eles lhes agradeço por me terem ajudado a crescer, por me terem ensinado que temos de dar valor àquilo que temos, enquanto temos, e agradecê-lo todos os dias a Deus. E à minha mãe, que por me ter inscrito em Religião e Moral, me mostrou que uma hora nossa faz toda a diferença. A eles um OBRIGADO por esta experiência que este ano continua!

Eva Irédio

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