PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Casal em Missão: quando vamos a África ou em toda a nossa vida?

Casal em Missão: quando vamos a África ou em toda a nossa vida?Somos a Raquel e o Joaquim Palma, estamos casados há 23 anos e temos 2 filhos – os melhores do mundoJ com 19 e 11 anos. Crescemos como pessoas de fé na Família Missionária Verbum Dei de Lisboa desde 1990 ( tínhamos então 17/18 anos). Nessa altura começámos a participar nos grupos de oração e revisão de vida e a receber, através desses meios, alguns dos maiores tesouros da nossa comunidade: a possibilidade de uma relação próxima e vital com o Deus de Jesus e a esperança de um mundo bem melhor, quantos mais O conheçam e vivam a partir d´Ele, quantos mais vivam como Seus filhos amados e como irmãos!

Pessoas bem concretas ao longo dos anos, foram dando a sua vida para que nós tivéssemos mais vida: primeiro como indivíduos, depois como namorados, casal, pais e profissionais. Soubemo-nos e sentimo-nos sempre profundamente “salvos” da depressão, da vontade de desistir e de deixar de acreditar em nós e nos outros…pelo que sempre nos fomos sentindo interpelados a dar a outros o melhor do que íamos recebendo! Temo-lo partilhado, ora mais explicitamente, ora mais desajeitadamente, com os colegas de trabalho, a família, com jovens, namorados, casais, pais…

Em 2006 o Senhor convidou-nos a “oficializar” o nosso namoro com Ele e fizemos, juntamente com outros casais, os primeiros vínculos como casal missionário da Fraternidade Missionária Verbum Dei; deste modo uníamo-nos oficialmente aos missionários e às missionárias desta Fraternidade no desejo de oferecer a Deus as nossas vidas para O dar a conhecer através da “oração, do ministério da Palavra e do testemunho de vida”. Em 2012 dissemos-Lhe “SIM” para sempre.

Como fazemos parte de uma Família universal, que está espalhada pelos vários cantos do mundo, foi-nos pedido, em 2015, para acompanharmos 3 casais;  imaginem de onde? - de Douala, Camarões!  imaginem porquê ? – porque éramos os melhores? os que tínhamos as condições ideais para o fazer? os que tínhamos tudo resolvido e claro nas nossas vidas? NÃO! Apenas porque: 1) éramos o único casal missionário a “arranhar” francês; 2) amamos o carisma verbum dei e acreditamos na sua força transformadora das estruturas socias; 3) ansiamos profundamente por um mundo sem violência, sem corrupção, com dignidade para todos e 4) porque Deus nos convence que o nosso contributo – mesmo que pequenino e tantas vezes imperfeito – tem valor e Ele pode aproveitá-lo!

Assim, em conjunto com a Missionária Marisa que os acompanhou no local, aceitámos fazer com eles um processo de formação e discernimento que lhes possibilitasse confirmar o que intuíam no coração: que Deus os chamava também a eles a ser casal missionário VD. Em out/nov de 2015 começámos, via Skype, a dar-lhes pistas de oração, a partilhar a identidade de casal missionário, a ouvir as suas inquietações e descobertas. Como devem imaginar, nos primeiros meses, ouvir, ouvíamos mas entender-nos mutuamente penso que seria pouco – o nosso francês era péssimo, a vida diária complicada! Que loucura! Apeteceu-nos tantas vezes desistir!!

Em 2016 pediram-nos se os visitávamos, pois seria muito importante conhecê-los pessoalmente e estar com eles, para melhor os acompanhar. Nesse ano não tivemos coragem nem forças para o fazer e, por amor à nossa família – a nossa primeira missão -  também não nos parecia adequado nem oportuno, pelo que não fomos; continuámos a preparar-nos interiormente para ir pois também nós, no coração, sentíamos essa necessidade.

E assim, passo a passo, sem acreditar que fosse verdade, no dia 31 de março de 2017, pisávamos o solo africano e sentíamos a baforada de calor a abraçar-nos ao chegar ao aeroporto de Douala (sem ar condicionado! Para trás tinham ficado os luxuosos aeroportos de Bruxelas e Zurique)JCasal em Missão: quando vamos a África ou em toda a nossa vida?

Foram “apenas” 5 dias intensos que ali estivemos: a maior parte do tempo, numa casa de retiros no campo. Em 5 dias, rezámos com aqueles 3 casais africanos e pedimos ao Espírito que nos guiasse na “nova versão” ( = conversão) que desejaria dar às nossas vidas de casal para sermos “Casal Missionário Verbum Dei”, em colaboração com Missionárias e Missionários, para, entre todos, tornarmos cada vez mais presente e acessível o “Reino de Deus”. A Missionária Marisa (espanhola) acompanhou-nos sempre e o Missionário Ricardo Garcia (mexicano) veio diariamente de mota (o táxi local) celebrar a eucaristia.

A experiência dos casais de Douala foi, em resumo: “ Deus ama-nos mesmo! Tem enviado tantas pessoas, tantas vidas para « resgatar as nossas vidas» ; somos, mesmo, preciosos para Ele!!”; “ As nossas vidas, as nossas dificuldades, as nossas circunstâncias não são impedimento para lhe dizer SIM em plenitude; são antes a matéria-prima onde Deus quer manifestar todo o Seu Amor e se quer dar, através de nós, aos que nos rodeiam!”- Dia 30 de julho fizeram  os seus primeiros vínculos. Douala conta com 6 vidas que se oferecem para dar vida, no pequenino e quotidiano que está ao seu alcance! Eles contam com a nossa oração!

E nós ? Recebemos imenso!!! :

  1.  Desfrutámos de tudo o que outros, antes de nós, semearam naquela terra e de um modo particular naqueles 3 casais nos últimos 15 anos ( a sua sensibilidade para o silêncio, a capacidade de encontrar Deus que lhes fala e os alimenta na Palavra, o seu desejo de «amar de volta»);
  2. Demos graças, cada dia, pela riqueza da diversidade existente na Fraternidade com os seus 3 ramos - missionários, missionárias e casais missionários - com o que têm de comum e com o que são de tão diferente. Como, de um modo tão inteligente e palpável, o Espírito nos chama a encarnar para o mundo aquele que é um dos seus maiores desafios: a harmonia, a paz, o respeito e valorização mútua na diferença!! Se o vivermos, e estamos a vivê-lo, temos “a chave”; isto é, certificamos que é verdade que Jesus é “ o caminho, a verdade e a vida” para a convivência Humana. Uma local, Jeanette, ao despedir-se, comentou: “ Se apenas uma pessoa é fiel, pensamos que se trata de um ser privilegiado ou excecional. Mas, quando é toda uma comunidade que procura ser fiel, então torna-se claro que é Deus quem o faz possível!
  3. Confirmámos que Deus faz obras maravilhosas através de pessoas frágeis, limitadas, imperfeitas, que se colocam nas Suas mãos e Lhe procuram ser fiéis.
  4. Confirmámos que Deus resgata/ recicla/reconstrói/reconcilia/ liberta vidas humanas e capacita para avançar e fazer o Bem, mesmo que a sua história esteja marcada pela dor, por regras sociais ou tribais, por pobreza material ou humana…
  5. Que qualquer que seja a cor, raça ou nação, todo o ser humano anseia por amar e ser amado, por ser respeitado na sua diferença, por ser valorizado, por liberdade e por não ter de se sujeitar a imposições culturais, políticas, económicas… que lhe retiram dignidade. Jaime Bonet, Fundador da Verbum Dei, dizia- “cada ser humano tem o cosmos no seu coração. Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o ser humano”- confirmámos isso! É tanto o que nos une! anseios, inquietações, necessidades, respostas, caminhos…

…OK …não vamos continuar…mas a lista é infindável!

Desculpem…mas temos ainda de acrescentar: 6. experimentámos a generosidade de imensas pessoas amigas que cuidaram dos nossos filhos e permitiram que viajássemos sabendo-os bem entregues. Elas como nós estávamos todos “ em missão”!

Atenção ! Esta experiência foi a exceção da nossa vida missionária.

O mais “normal” e comum é o que vivemos nos restantes 360 dias do nosso ano.

Neles, assim como nos 5 dias que vivemos em África, inspiram-nos fortemente as palavras do Papa Francisco no nº 279 da encíclica “ A Alegria do Evangelho” ( Evangelii Gaudium):  “…A pessoa sabe com certeza que a sua vida dará frutos, mas sem pretender conhecer como, onde ou quando; está segura de que não se perde nenhuma das suas obras feitas com amor, não se perde nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros, não se perde nenhum acto de amor a Deus, não se perde nenhuma das suas generosas fadigas, não se perde nenhuma dolorosa paciência. Tudo isto circula pelo mundo como uma força de vida. Às vezes invade-nos a sensação de não termos obtido resultado algum com os nossos esforços, mas a missão não é um negócio nem um projecto empresarial, nem mesmo uma organização humanitária, não é um espectáculo para que se possa contar quantas pessoas assistiram devido à nossa propaganda. É algo de muito mais profundo, que escapa a toda e qualquer medida. Talvez o Senhor Se sirva da nossa entrega para derramar bênçãos noutro lugar do mundo, aonde nunca iremos. O Espírito Santo trabalha como quer, quando quer e onde quer; e nós gastamo-nos com grande dedicação, mas sem pretender ver resultados espectaculares. Sabemos apenas que o dom de nós mesmos é necessário.”

Desejamos que cada um descubra a sua missão pessoal, esse papel, esse contributo só seu, que Deus o desafia a dar para bem da Humanidade: esse pouco, pequeno, possível de cada dia!

Desejamos que todos nos experimentemos filhos muito amados, sempre, quer quando o que damos é pouco, muito ou nada pois também na incapacidade e fragilidade o abraço de Deus é certo!

 

Abraço fraterno, da Raquel e do Quim

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