PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Famílias renovadas pelo Evangelho

Famílias renovadas pelo EvangelhoA espiritualidade da unidade aponta caminhos menos percorridos e que exigem uma forte vivencia do amor, na entrega e na aceitação do outro. Deixamo-vos aqui um caminho que muitos cristão percorrem para uma plena vivencia da espiritualidade, criando programas de carácter sócio-educativo e de desenvolvimento económico, num espírito de promoção dos mais desprotegidos. A Palavra de Deus, por outro lado, é um verdadeiro alimento oferecido aos casais à beira da separação e do divórcio, pois com ela encontram a força para um diálogo autêntico e conseguem reconstruir a sua união.

 “Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” Mt 5,20-26

O Movimento “Famílias Novas” é a ramificação do Movimento dos Focolares, para as famílias. As suas origens mais profundas remontam ao início deste Movimento, a 1943, quando, em plena segunda guerra mundial, os bombardeamentos devastavam a cidade italiana de Trento e uma jovem, Chiara Lubich descobre Deus como aquele Ideal que não passa e nenhuma bomba pode destruir. Juntamente com as suas primeiras companheiras, redescobre o Evangelho como código para a vida quotidiana e nele encontra a vocação que virá a considerar a razão de ser da sua vida e do Movimento que haveria de nascer: a unidade, a realização do testamento de Jesus: «Pai, que todos sejam um, como Eu e Tu somos Um». Das intuições que Deus lhe foi proporcionando haveria de surgir a “espiritualidade da unidade”. Desde o início que pessoas casadas e famílias querem seguir este Ideal.

Momento marcante da história do Movimento “Famílias Novas” foi o do encontro de Chiara com o escritor e político italiano Igino Giordani, casado e pai de quatro filhos (cujo processo de beatificação está em curso), e considerado co-fundador do Movimento dos Focolares porque abriu a Chiara o horizonte da potência do seu Ideal para renovar a vida da família e da sociedade. Os membros do Movimento “Famílias Novas” propõem concretizar na vida da família a “espiritualidade da unidade”, começando por renovar os relacionamentos entre si. A partir daqui, surge a experiência de comunhão entre as famílias, de partilha das experiências de vida, das alegrias e das dificuldades. Trata-se de uma comunhão de bens materiais, mas não só, também de disponibilidade de tempo e de talentos.

Com este estilo de vida, casais à beira da separação e do divórcio encontram a força para um diálogo autêntico e conseguem reconstruir a sua união. Dizia Igino Giordani que «a família não deve fechar-se em si mesma, mas expandir-se como célula que vive para si na medida em que convive com os irmãos». Num seu texto programático, de 1993, Como a família assim a sociedade, Chiara Lubich apresenta a família como modelo de qualquer convivência social e de qualquer instituição.

De entre estas famílias, algumas dispõem-se a deixar tudo – segundo o convite de Jesus: «Quem não deixa pai, mãe… campos, pátria… não pode ser meu discípulo» – e prontificam-se a ir para onde for necessário levar a espiritualidade do Movimento. São as “famílias-focolar”.

Periodicamente, são organizados congressos internacionais – os Familyfest. São encontros temáticos abertos a todos, com intercâmbio e confronto de experiências a nível mundial. O primeiro, em 1981, teve o seu ponto culminante na intervenção do Papa João Paulo II. O último teve lugar no dia 16 de Abril de 2005 e transmitido em directo, via satélite, em simultâneo com 120 cidades, nos cinco continentes. Em Portugal realizou-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e estiveram presentes 1700 pessoas.

Outra das iniciativas do Movimento “Famílias Novas” consiste nos projectos ligados à “Solidariedade à distância – adopção à distância.” São propostas de apoio que nascem de uma equipa local do Movimento que se empenha em seguir as crianças e as suas famílias com continuidade. Inserem-se em programas mais vastos de carácter sócio-educativo e de desenvolvimento económico, num espírito de auto-promoção. Os projectos em causa envolvem mais de 18.000 crianças em 99 projectos de 53 países em vias de desenvolvimento ou em emergência bélica. Desde 1993 que esta iniciativa foi lançada em Portugal, onde estão em curso 87 “adopções à distância”, 25 das quais são de crianças de Angola. Desde 2005 está também em curso o projecto “Uma família, uma casa”, que complementa o primeiro projecto permitindo que as famílias envolvidas tenham uma casa digna. Na base de tudo, é que cada família seja um laboratório do Evangelho.

José e Maria da Conceição Maia

Um projecto de amor - Testemunho

Casámos há 18 anos. Nasceram o André, a Margarida e a Mariana. Na última gravidez surgiu uma complicação de saúde; era necessário tomar a decisão entre avançar com a gravidez correndo sérios riscos, ou pôr-lhe termo. Acreditando, com a ajuda de uma família, que Deus nos ama imensamente, não podíamos tomar outra decisão que não fosse a de seguir em frente com a gravidez.

Com o nascimento, vinha também a notícia de que não era possível uma nova gravidez. Mal a bebé chegou a casa, o nosso filho mais velho disse: «Agora já só falta nascer um irmão». Um dia souberam que, se não conseguíssemos ter filhos, estaríamos disponíveis para a adopção. Iniciámos as diligências nesse sentido.

Durante quatro anos a ideia amadureceu, foi purificada, aprendemos a alargar os horizontes e a alargar o coração. Quando menos esperávamos, começou a tornar-se realidade, mas de um modo completamente diferente daquilo que tínhamos planeado.

Soubemos que havia um menino que já não era bebé e estava a entrar na pré-adolescência que estava para adopção. E se fosse para nós? Surgiram-nos muitas dúvidas, mas acreditávamos que chegar-nos-ia um sinal. Chegou um telefonema do serviço de adopções; queriam falar connosco! Fomos surpreendidos, pois a criança que nos falaram era o tal menino de que alguém nos tinha falado. Pedimos algum tempo para pensar e poder envolver os nossos filhos. As reacções foram muito variadas: houve quem dissesse imediatamente que sim, quem precisasse de pensar e quem tenha desatado a chorar; nessa noite dissemos-lhe que pedisse a Jesus que lhe desse um coração grande capaz de acolher todos e que isto era o mais importante.

Uma noite, ao jantar, conversando percebemos que todos estavam decididos e prontos para a adopção. A mais nova acrescentou que tinha rezado a Jesus a pedir um coração grande capaz de acolher todos. Fomos conhecer o nosso novo menino, o Nuno. Passámos com ele o dia todo, foi inesquecível e no final já havia uma grande cumplicidade. Passados três anos, sentimos e vimos, muitas vezes, a mão de Deus que nos protege, nos guia e nos faz sentir filhos predilectos. E vemos como é verdadeira a frase do Evangelho: «dai e ser-vos-á dado cem vezes mais...».

Rosinha e Amândio
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