PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Uma família cristã

Uma família cristãO casal Antunes quis viver esta Páscoa de uma forma mais intimamente ligada às celebrações do Tríduo Pascal e, assim, foi tomada a decisão de levar os pequenotes, de 4 e 8 anos de idade, à Missa da Ceia do Senhor, quinta-feira Santa, em que se celebra a instituição da Eucaristia. Mas foi no momento litúrgico do Lava-Pés que os filhos, até aí com pouca atenção ou compreensão do que se passava, passaram a querer acompanhar todos os momentos com a maior curiosidade: homens mais velhos e outros mais novos ali sentados à frente de todos, a descalçar os sapatos e o Senhor Padre, ajoelhado a lavar os pés daqueles homens... ! Nunca tinham visto uma coisa assim e logo o mais novo largou um sorriso que contagiou o irmão.

 

As palavras do Evangelho "Compreendeis o que vos fiz? Também vós deveis lavar os pés uns aos outros" foram explicadas, em voz baixa, pelos pais com forte orientação para o espírito do serviço. Do serviço dos pais para o bom governo da casa e do serviço dos mais pequenos em colaborar nas tarefas domésticas, mas principalmente na arrumação dos seus brinquedos e de tudo o mais que, normalmente, fica pelos cantos, à espera que os pais arrumem.

A tarefa da educação passa pelo exemplo de vida, no amor que os pais colocam em tudo e em todos, para a boa relação entre os diversos membros da família. O casal Antunes bem sabe como é difícil ter paciência, ao fim de cada dia de trabalho, para dar orientações e corrigir as más atitudes ou reações intempestivas dos filhos que, também cansados, querem, no entanto, chamar a atenção dos pais.

Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também. Aqui pai e mãe deram uma palavra em voz baixa a cada filho, para que eles percebessem que a obediência é fundamental para criar amor entre todos e, só assim, conseguirem ser felizes. Este é o espírito do serviço. Este é o espírito do compromisso de todos aqueles que constroem uma família, com a certeza de que Deus não os abandona e que os ajuda em todos os momentos das suas vidas.

Há aqui dois aspetos a destacar: por um lado a consciência do casal Antunes em formar uma verdadeira igreja doméstica com os seus filhos, fazendo-os aproximar-se das "coisas de Deus"; por outro lado, interiorizar e viver o espírito de serviço, como Jesus se negou a Si próprio, servindo os mais necessitados, mostrando-se empenhado em elevar a dignidade dos que estavam com Ele, proporcionando, assim, um motivo de conversão.

Os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário das famílias, chamadas a ser verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais profundo.

Somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, servindo as famílias à nossa volta (seja no ambiente de trabalho, seja nas nossas relações sociais) mas, confiando unicamente em Jesus, iluminados pela Sua Palavra: "Não fostes vós que Me escolhestes. Fui Eu que vos escolhi e destinei para que vades e deis fruto" (Jo 15, 16). Esta missão, recebemo-la de Cristo que nos dá a conhecer o que recebeu do Pai, para que, fortalecidos com o Seu Espírito, consigamos renovar a face da terra.

A conversão das famílias mais afastadas da Igreja faz-se pelo exemplo de muitas "famílias Antunes" que se afirmam em toda a nossa diocese. Elas precisam, porém, da disponibilidade e do estímulo dos mais fiéis, dos que estão prontos a servir, a educar, a ensinar.

Quantas catequeses de adultos se resumem à observação dos bons exemplos de cristãos empenhados em serem enviados ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo o Servo dos servos, Cristo Ressuscitado, para que todo o processo de relação conjugal e de educadores na fé se transforme em ocasiões de crescimento e de vida.

Conversão significa mudança de vida e de mentalidade, pois o grande desejo de Deus é que toda a pessoa se converta na pessoa do Seu Filho Eterno que, na sua Humanidade e Divindade, se tornou o mediador entre Deus e os homens.

A conversão das famílias permanece, então, como necessidade de cada pessoa humana, que precisa respirar uma nova vida e ser feliz! Hoje como ontem, a pessoa é chamada a fazer a experiência de uma nova vida, segundo os planos de Deus. A alegria que brota do interior do coração que procura Deus, faz com que a pessoa seja transparente e coerente na sua existência. Eis o grande dom de que ainda hoje necessitamos!

Eis um Hino à vida, um louvor a Deus pela obra da criação, porque recebemos a vida, não apenas no nascimento, mas todos os dias. Dessa vida, temos todos que cuidar como pais e educadores na fé, pelo exemplo e cativando os mais afastados da Igreja, rezando ainda pela conversão dos que atentam contra a dignidade da vida humana.

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