PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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A Felicidade procura-se e constrói-se

A Felicidade procura-se e constrói-seA família que nasce da íntima comunhão de vida e de amor fundada no casamento entre um homem e uma mulher, é uma instituição divina, protótipo de todo o ordenamento social. É neste berço da vida e do amor que o homem nasce e cresce. É na família que a criança desenvolve as suas potencialidades, tornando-se consciente da sua dignidade e se prepara para enfrentar o seu único e irrepetível destino.

 

Por isso é belo e muito louvável que as famílias se juntem para celebrar as suas bodas matrimoniais, agradecendo a Deus a vida que foram construindo.

Onde está a felicidade? Na verdade, hoje a questão da "busca de felicidade" pesa muito não só no momento de tomar a decisão do casamento, como ao longo de toda a vida.

É um projecto de vida a dois que se vai construir e o que mais nos deve preocupar, a nós - anunciadores da Boa Nova - é onde é que esse projecto assenta. Como a casa construída sobre a areia, ou sobre a rocha firme do amor, da tolerância e da concórdia, a caminho da paz.

Todos sabemos como muitos casamentos acabam por ter um fim, porque as pessoas já não se sentem felizes. Há até quem diga "foi bom enquanto durou", ou "já não sinto mais nada" e "o amor acabou". Ou seja, instalou-se a indiferença e o desprezo pelo outro. Porém, uma coisa é transversal a todas as situações de rompimento entre duas pessoas: o sofrimento.

Há situações tão dolorosas que o mínimo que temos a fazer é acompanhar os sentimentos de quem sofre, ajudando a carregar essa cruz. Se bem que todos saibamos que há por vezes precipitação e superficialidade tanto no momento do casamento como no momento da separação. Aqui o que nos interessa é que a felicidade é tomada como o motivo para construir um projecto, da mesma maneira que para o acabar. Ora o sentido de tudo isto reside no facto de a felicidade ser uma das dimensões mais importantes que o ser humano procura.

No fundo tudo aquilo que todos queremos ser, é sermos felizes. Tomemos como exemplo de "felicidade que se constrói" a relação entre pai e filho nos dias de hoje, por oposição ao que se passava em grande parte do séc. XX, ou até na nossa juventude: ao homem é agora dada a oportunidade de mostrar as suas capacidades de cuidar dos filhos, o que permite uma maior proximidade entre pai e filho. Assim, os pais ao substituírem as mães nas suas tarefas (p. ex. dar banho, preparar as refeições, levar os filhos à escola, acompanhá-los nos estudos, etc.) conquistam a oportunidade de construir uma relação mais íntima e profunda com os seus filhos, o que é muito importante para o desenvolvimento da criança, pois é fundamental que o pai seja também uma figura de afecto e protecção.

Estudos recentes levam-nos à conclusão de que o pai actual é um pai atento e preocupado em entender os seus filhos, é um pai que redescobriu o mundo dos afectos e que não abdica de um relacionamento mais íntimo com os seus filhos. A imagem de autoridade do pai que actuava apenas para pôr ordem na casa e garantir o sustento da família, deu lugar a um pai mais activo, mais próximo e que vive de forma empenhada a relação com os filhos.

Um dos perigos para que esta construção da felicidade entre pais e filhos seja uma realidade é o tempo cada vez mais escasso que o pai e a mãe dedicam diariamente aos seus filhos. Cada vez mais temos famílias com pais e mães ausentes devido aos seus compromissos profissionais e até, por vezes, prioridades pessoais. Ora isto inviabiliza toda uma necessidade de criar laços que permitam aos filhos uma autonomia gradual que os leve a desenvolver mais competências ao nível da relação com os outros.

Mas regressemos ao casamento como caminho de felicidade para toda a vida. O casamento deve ser assumido como um caminho de construção de felicidade. São passos que têm como rumo a felicidade: a minha, a nossa como casal, a dos filhos que vemos nascer e crescer, a de todos aqueles que partilham afectivamente o nosso caminho, a de todos aqueles que vivem a nossa missão de anunciadores da Boa Nova - Palavra de Deus que dá vida - e a de todos os que são objecto do nosso exercício de caridade.

No mundo do trabalho, dos nossos contactos sociais, ou até da própria família, teremos de ser sempre portadores de alegria e esperança. Alegria significa ânimo, atitude positiva face à vida e aos outros. Por isso é que o contrário da alegria não é a tristeza, mas o pessimismo, a negatividade, o ver tudo mal! Por vezes há razões para estar triste com tanta dor e tanta miséria, mas pode-se continuar ao mesmo tempo alegre, com ânimo de construir.

Habituámo-nos a confundir a alegria com o divertimento ou com um estilo de vida "light". Ora a alegria cristã vem precisamente do que significa estar vivo, estar animado de uma força interior para melhorar o presente e construir o futuro.

Desengane-se aquele que pensa que a alegria do cristão está em possuir muitos bens. A alegria do cristão estará, sim, na família que lhe dá apoio e suporte à sua missão:

  • na sua mulher ou no seu marido, que no silêncio da sua presença lhe dá a calma e ponderação que ele/ela precisa para enfrentar as situações mais espinhosas do dia a dia,
  • nos seus filhos que crescem no reflexo do que neles os pais vão semeando,
  • no bem que faz a quem precisa, àqueles que se encontram sós e dependentes dos outros.

Não nos deixemos, portanto, dominar por ansiedades, mas tornemo-nos criadores de futuro. É claro que há sombras, mas se acreditamos que podemos fazer algo de bom, mesmo quando tudo é escuro à nossa volta, então somos a personificação da esperança. Então estaremos a construir a nossa felicidade e a dos outros.

Texto publicado no artigo familiarmente de 8 de Maio de 2011

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