PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Pastoral Familiar: uma paixão de vida em Igreja

Pastoral Familiar: uma paixão de vida em IgrejaApoiados em Jesus, Maria e José como exemplo da fé que faz brilhar o amor e fortalece a vida nos lares, a missão da Pastoral Familiar aponta caminhos para que a família continue a ser um dom precioso para cada um dos seus membros nas várias etapas da vida e uma esperança firme para toda a humanidade.

Temos referido por diversas vezes e em muitos locais que a Pastoral Familiar é um dos trabalhos mais bonitos junto das comunidades em Igreja, porque permite conhecer, amar e servir a vida humana, demonstrando que, com amor e sabedoria, é possível criar famílias felizes na confiança em Deus e pela força dos sacramentos.

 Indo ainda mais além, o trabalho das equipas de Pastoral Familiar permite intervir para salvar milhares de vidas humanas, tornando cada membro da família um digno zelador do seu bem-estar e do bem-estar dos outros, na mobilização para uma solidariedade fraterna, num constante sim de entreajuda, especialmente nestes tempos marcados pelo presente difícil e pela incerteza sobre o nosso futuro sócio-económico.

Nas últimas décadas do séc. XX assistimos a profundas transformações da sociedade, com um distanciamento em relação à matriz cristã da cultura, nomeadamente na ética da relação entre homem e mulher sobre o seu lugar e papel na família.

Nos últimos seis anos em que temos estado na coordenação do Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, fomos fustigados por uma avalanche de legislação que tem sucessivamente vindo a querer matar a Família como instituição, célula da sociedade.

Em 2006 aprovou-se a lei da reprodução artificial e dos embriões excedentários, onde um filho pode ser produto de uma técnica. Aliás, esta lei abre espaço à criação deliberada de embriões humanos para utilização científica, tornando a vida humana um mero instrumento da técnica.

Aprovou-se a lei do aborto gratuito e subsidiado em Abril/2007 até à 10ª semana de gravidez, a simples pedido da mulher e sem restrições, realizado em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos.

Setembro/2008: aprovou-se a lei do divórcio unilateral. Divórcio por mútuo consentimento sem necessidade de tentativa de conciliação, o que tornou o casamento um ato irrelevante, sob o impulso de comportamentos irresponsáveis.

Em 2009 foi aprovada a lei da educação sexual com carácter obrigatório no meio escolar – básico e secundário – com uma clara carga ideológica. Mais recentemente, em 2010, aprovou-se o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, e em 2011 a lei da mudança de sexo e correspondente alteração do nome próprio.

Movimentos políticos e associações de índole diversa fizeram ainda mais; conseguiram no passado mês de Maio fazer aprovar na Assembleia da República o Projecto-Lei nº 278/XII que “consagra a possibilidade de co-adoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo (...) visando prevenir um colapso injusto, emocionalmente irreparável e insustentável do ponto de vista do superior interesse da criança.”

Perante estas profundas alterações legislativas que mudam o rosto da sociedade portuguesa, queremos afirmar que as famílias cristãs são o “sal da terra” na comunidade paroquial, no ambiente de trabalho e nos meios sociais, animadas pela Palavra de Deus, assumindo-se como anunciadoras e testemunhas vivas do Evangelho, saboreando o pão eucarístico e fortalecendo-se pelos sacramentos, no exercício do amor e do perdão, superando as tentações das coisas materiais. E esse “sabor divino” tem de ser vivido com alegria e confiança na Pessoa de Jesus porque «De facto, os nossos dias, com todos os desafios que nos lançam, apresentam-se como um tempo de crise. Muitos homens e mulheres parecem desorientados, incertos, sem esperança; e não poucos cristãos partilham estes estados de alma…» (Ecclesia in Europa, 7).

O aparecimento de uma nova cultura, influenciada em larga medida pelos media, com características e conteúdos frequentemente contrários ao Evangelho e à dignidade da pessoa humana, foram ao longo dos anos incessantemente denunciados pelo Senhor Cardeal D. José Policarpo, na qualidade de Bispo desta grande Diocese de Lisboa.

Aqui queremos prestar a nossa homenagem e gratidão profunda a D. José Policarpo, por estes anos de intenso trabalho a favor da Família, aliás uma preocupação pastoral que lhe reconhecemos constante ao longo do seu ministério. Nestes últimos seis anos de trabalho no Sector da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa registamos a lucidez do seu olhar de fé sobre a família e sobre as transformações sociais que a atingem.

Louvamos e bendizemos a Deus pelos quinze anos de D. José Policarpo como Bispo de Lisboa e nosso Pai na Fé, sempre atento aos sinais dos tempos, preocupado em compreender o homem na sua pluralidade.

Reconhecemos ao mesmo tempo o enorme trabalho realizado na Diocese do Porto pelo Senhor D. Manuel Clemente, que contagiou muitas famílias e muitas estruturas, no entusiasmo da concretização de um grande projeto pastoral. Aos nossos irmãos da diocese do Porto endereçamos um fraterno abraço na certeza de que muitos frutos se revelarão por muitos anos, nesta sementeira de um tempo de bondade do Senhor com D. Manuel Clemente que foi, durante sete anos, Bispo do Porto.

Ao Senhor D. Manuel Clemente, agora Patriarca e Bispo de Lisboa, queremos ajudá-lo a ser um grande Pastor da Igreja, assumindo a Esperança como a virtude por excelência do futuro, em resposta à aspiração de revigoramento da diocese de Lisboa.

Acreditamos num empenhado trabalho de Pastoral Familiar, porque vivemos o amor do casal na construção diária de um caminho, envolvendo todos os membros da Família. Esta nossa convicção advém do contato muito direto com casais e famílias em geral, com quem nos temos encontrado um pouco por toda a diocese de Lisboa. O que nos tem marcado é simplesmente o encontro com as pessoas, numa palavra amiga, de esperança e estímulo, num sorriso, ou numa lágrima partilhada. E continuamos a ficar surpreendidos com o que o Senhor faz, com um simples estarmos próximos uns dos outros.

Com todos os intervenientes na Pastoral Familiar continuaremos a procurar fazer do mundo à nossa volta um verdadeiro lar, um espaço de concórdia, solidariedade e respeito mútuo, num testemunho próximo e acolhedor, rezando para que as famílias respondam à sua vocação de ser uma forma de Igreja doméstica e célula originária da sociedade, sem esquecer a dimensão da Fé, um dom precioso na construção deste caminho.

Mª da Conceição e diác. José Paulo Romero

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