PASTORAL DA FAMÍLIA

PATRIARCADO DE LISBOA

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Choque de mentalidades

Choque de mentalidadesChoque de mentalidades

Um confronto de ideias entre os vários membros da família deve ser uma oportunidade de crescimento e preparação para a vida. Acertar o passo entre gerações é, porém, uma tarefa árdua mas muito empolgante, na medida em que exige um esforço constante de aproximação de parte a parte.

Viver a fé e com vontade em dar testemunho do que realmente nos anima a prosseguir, vencendo as dificuldades de cada dia, é o que se espera de cada cristão ativo e interveniente no mundo.

 

Choque de mentalidades

O facto de haver divergência de opiniões entre gerações não quer dizer que, por si só seja negativo, ou que venha a criar um afastamento entre as pessoas. Genericamente o que acontece é que há divergências porque há padrões diferentes em cada lado do diálogo.

O exercício da tolerância é uma prova concreta do amor de Deus que nos deu um coração capaz de amar. Somos amados por Deus e temos consciência de que criamos intimidade na relação de uma aceitação para ser conhecido: os sujeitos da relação amorosa encontram-se de tal modo um no outro, que se sentem como um só. "E os dois serão uma só carne" (Gn. 2, 24)

As relações entre marido e mulher vão-se construindo cada dia, mas sempre na base de um amor que constantemente se manifesta e renova. Em cada olhar, em cada sorriso, ou em cada expressão menos calorosa e que se exprime num "chamamento" do outro.

A atração conduz-nos à pessoa amada. Mas o amor só começa se houver 'revelação'. Há que ter tempo e criar oportunidades para que essa 'revelação' vá acontecendo e seja um pilar de uma boa relação entre os vários membros da família. Porém, há que não esquecer que a beleza que nos atrai é escondida e misteriosa, pois cada pessoa guarda o seu tesouro no segredo do coração. Esta exigência de revelação constitui uma das maiores dificuldades do amor humano. As pessoas querem amar e ser amadas, mas dificilmente estão dispostas a revelar-se. Guardam os seus segredos. Escondem os seus mistérios.

A intimidade entre pessoas significa a revelação total de um ao outro, aceitando dar-se a conhecer, ou seja, aceitando ser conhecido, para conhecer. Esta é uma área que encontramos na mais pura e singela expressão, pela espontaneidade das graças e das questões colocadas pelas crianças de tenra idade.

O mesmo já não acontece na adolescência em que muitos sentimentos são escondidos ou simplesmente não são partilhados. Cria-se assim uma distância, um afastamento. O risco desta fase é quando cria raízes e deforma o comportamento, impossibilitando que o jovem e depois o adulto, se dê a conhecer e queira conhecer a intimidade daquele ou daquela com quem vai fazer um caminho de vida pelo matrimónio.

Como agir então na prevenção?, perguntam-nos muitas famílias onde se sente o "choque de mentalidades". "Choque" pela incapacidade em primeiro lugar em ouvir, em escutar o outro: os pais aos filhos; os filhos aos pais e avós, etc.

Educar para o amor é uma prioridade e a ternura exprime uma das qualidades mais belas do amor: a bondade e a misericórdia. Amar é ser bom. A ternura é generosa, tudo dá, tudo faz pelo bem do outro, tudo desculpa, tudo perdoa. Só a ternura pode curar os corações feridos e voltar a unir aqueles a quem a infidelidade separou.

A incapacidade de ternura é o efeito mais dramático do pecado no coração humano. É aquilo a que o Evangelho chama a "dureza do coração". Só pela ternura seremos capazes de vencer as diferenças de opinião, evitando o "choque de mentalidades".

Vamos entrar na Quaresma - que é um tempo de purificação - e as famílias são chamadas a viver este tempo na tolerância e no amor total a Cristo morto e ressuscitado. Há que fazer morrer as diferenças marcadas pelo egoísmo e dar espaço a um "coração novo", capaz de acolher os outros como Deus ama, pedindo sempre a presença do Espírito Santo nos nossos corações.

O amor ao próximo é indissociável do amor de Deus. "Quem não ama o seu irmão que vê, não pode dizer que ama a Deus que não vê" (1Jo 4, 20)

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